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Um ser que participa do Todo e tem saudade do tempo que não foi, mas sabe que um dia nele irá se desmanchar, e flutuar. Porquanto participo da sopa divina.


























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Pulmão Cabeludo
Alea jacus est
quinta-feira, setembro 04, 2003
Jacu

A grande maioria das pessoas com que convivo são jacu. Desculpem-me se não coloco o termo no seu devido plural. É que julgo impossível dizer “jacus”. Não faz sentido, soa latim: “jacus mundi est”, acaba dando um ar de coisa chique, desviando de seu sentido original.

O que é ser jacu? Penso ser impossível precisar seu significado. Jacu é um daqueles termos irredutíveis, que não permitem a troca por um sinônimo sem que o termo sofra sérios prejuízos. Assim, enfatizo, não há condição de traduzi-lo para qualquer outro idioma. A única forma de um idioma entender o que é jacu seria apropriando-se do termo e incluindo-o em seu vocabulário. Se é que as palavras são mesmo vírus, basta infectar a outra língua para que esta seja contaminada. “Are you jacu?”. Embora seja bem provável que o francês ofereça menos resistência, dada sua sonoridade: “Je suis beaucoup jacu”.

Não há outro meio, só através da convivência empírica com essa palavra o seu conteúdo pode ser, digamos, intuído. Na verdade, nem é de todo correto enunciar a sentença acima citada. Pois no caso de jacu, significante e significado estão terminantemente unidos. Erro grosseiro julgar que jacu seja semelhante a uma bolsa onde se guarda algum conceito, ou o conteúdo da jacuzisse. Jacu é a soma do conteúdo com o continente. Isso é jacu.
Bom, como ia dizendo, boa parte de meus amigos são jacu. Espero que depois de toda essa explicação sofisticada, eles não se sintam ofendidos, posto que jacu é algo muito complexo, dada a sua simplicidade. Espero também que não pensem que um dos componentes deste predicado a que lhes atribuo tenha a ver com caipira, ignorante, xucro, muito menos medíocre. Nada mais além de ser jacu.

É importante salientar, antes que me esqueça, de que não consigo pensar em um antônimo de jacu. Talvez caju. Mas aí já é criancice, já passamos da idade, essas coisas. O fato de uma alguém ou algo ser jacu não exclui, em hipótese alguma, a possibilidade de receber qualquer outro adjetivo, seja lá qual for. Podemos dizer, e isso é bem verdade, que alguns outros predicados sentem por jacu uma espécie de força de repulsão, não impedindo, contudo, de coexistirem. Nenhum problema, portanto, em dizer algo como “Ele é jacu, triste e elegante”. Concluindo: há um campo de força com características particulares em torno jacu. Inferir que um homem jacu não possa ser triste é o mais puro preconceito.
Então que assim seja. Termino com abraço apertado para todos os meus amigos jacu.

1:55 AM


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