Um ser que participa do Todo e tem saudade do tempo que não foi, mas sabe que um dia nele irá se desmanchar, e flutuar. Porquanto participo da sopa divina.
domingo, dezembro 29, 2002 Pulm�o Cabeludo, ensinando a viver melhor
O prazer mais extremo que um homem pode ter �, ap�s preencher a bunda de uma gostosa com o mais puro licor de coco, chut�-la com o peito do p�. Um prazer realmente insuper�vel.
Se voc� for fil�sofo, e quiser se destacar na polidez da palavra, pode se dirigir da seguinte forma:
�S�i daqui sua mambembe, voc� n�o passa de um corpo�.
Filosofia Dualismo descartiano aplicado �s mulheres
A alma da mulher � a face. A bunda, o corpo.
A educa��o sexual, tal qual � ensinada nas escolas, n�o serve para nada. Ensinamentos importantes s�o preteridos, por exemplo:
Li��o 1
1.0 Antes do sexo anal, confirme se sua parceira est� em dia com o verm�fogo.
Li��o 2
Para as meninas:
2.1 Fa�a sexo anal apenas com o homem que ama.
2.2 Nunca engula porra de estranhos, s� de quem ama.
2.3 Fique esperta para evitar que o penis "espirre" na garganta. Voc� pode engasgar.
2.4 Antes do cuzete, vulgo "beijo negro", fa�a uma lavagem bem feita no seu anel de couro. Dentre todos os sabonetes mais indicados, Dove � o primeiro da lista.
Estou com muito medo do Pazuzo, dem�nio sumeriano, que amaldi�oou e ainda amaldi�oa muita gente. N�o sei o que fa�o, estou desesperado. Suponho at� que ele j� perambula sobre minha pobre aura. Ser� conveniente convocar o deus uga-buga e sair girando em c�rculos gritando uga-buga at� a situa��o melhorar?
Evito a todo custo utilizar de certas palavras e express�es suspeitas:
Listando:
Tend�ncia. (toda tendencia � gay)
"me descobrir."(quer se traveco)
"me encontrar".( quer dar o boga)
"conhecer meu eu profundo". (sexo anal, fio terra, etc.)
"conhecer-se melhor". (perobagem)
"deveras" (intelecual�ide)
"Quero me tornar mais leve" ( ou melhor, camuflar)
A lista � muito extensa e desisti de escrever. Percebi que tinha toda as express�es da lista tinha um conte�do sexual acentuado. N�o gosto de falar sobre sexo. Adoro fazer. A frase anterior � anterior n�o � mentirosa, pois n�o gosto mesmo de falar, gosto muito de escrever sobre sexo, mas n�o de falar sobre sexo. Na verdade gosto mesmo � de sexo oral. Com l�ngua, linguinha e ling�eta.Qualquer pessoa sens�vel de pele me entende. Minha l�ngua, ali�s, � grande e grossa. Mas o que estou falando? N�o falo mais sobre sexo. Nem sobre reprodu��o da esp�cie, orgasmo, porra, buceta, bueiro, flor da madrugada.
Vou falar sobre relacionamento. Tempo atr�s catei uma mina que dormitou em casa. De manh�, ela acordou e estava com um bafo de on�a, horr�vel. Resolveu escovar o dente. Mas como n�o houvesse escova nem pasta, fez minha pica de escova e minha porra de pasta de dente. Seus dentes ficaram limpos, mas o bafo continuou, s� mudando o sabor, agora com um leve toque de am�nia.
Acho que estou emocionado com a estorieta que contei, uma l�grima rola em minha face, "Como sou rom�ntico!", "Ai, Ai, como sou uma pessoa sens�vel!" � por essas e outras que sou pulm�o cabeludo, o ceboludo.
J� faz um tempo. Parei de usar drogas que n�o seja o �lcool. Cheguei a conclus�o (bem adolescente mas por�m verdadeira) que sou louco sem usar droga nenhuma.
Quer ver:
�Dizem que sou louco por pensar assim, mas louco � quem me diz, e n�o � feliz�.
Mutantes
�Vou ficar com certeza maluco beleza�
Raul
�etc, etc�
Pulmaocabeludo
Por exemplo, um tempo atr�s, quando drogado, ficava com uma timidez doentia. Quando ia dizer alguma coisa para algu�m, esse algu�m n�o me entendia. O pior de tudo � que a pessoa me olhava com uma cara estranha e pedia para eu explicar melhor. E eu ficava explicando at� que a pessoa percebia que era uma piadinha, um gracejo. Ent�o a pessoa dava um riso amarelo e exclamava �Ah!�. Constrangido, minha vontade era sumir.
Nesses estados em que altera��o mental me dominava, tudo o que escutava se tornava entediante. Tinha estranha impress�o de que as pessoas eram �bvias e repetitivas, e com pouca curiosidade, al�m de incultas e, ainda por cima, n�o gostavam de pensar. Al�m disso, para piorar, parecia que a maioria das mulheres do mundo eram feias ou freiras. Ent�o tive que resolver logo a quest�o. Depois de muito meditar, conclui que o melhor rem�dio era cerveja, o embelezador universal.
�Bebo para tornar as outras pessoas mais interessantes�. Disse um s�bio fil�sofo. Para falar bem a verdade, estou em tratamento psicol�gico, que consiste em embriagar-se toda noite. Estou me tornando a cada dia que passa uma pessoa mais am�vel e tolerante com as seres humanos. At� agora s� com as gostosas, mas eu chego l�.
J� tive que ag�entar muitas coisas na minha vida, como o D�cio Pignatari, semi�tico safado, queridinho da Cultura, me dizer que quem sabe falar e escrever � bil�ng�e. Pensando bem, acho que ele tem raz�o, e esse � exatamente esse meu problema. Quando come�o a escrever come�a sempre a ficar pulando na minha alma um monte de jeito complicado de se escrever e de se falar. O resultado � que perco minha naturalidade.
Tem uma coisa que vou contar aqui pra voc�s, uma coisa muito rid�cula que acontece comigo, um fiasco, algo parecido com o que acontecia com um dos descendentes do homem mais inteligente do Brasil, Ruy Barbosa. Este grande homem, baluarte da cultura brasileira, apesar do seu grande poder de pensamento, gerou um filho muito burro: quando ia a um pa�s estrangeiro, esquecia a sua antiga l�ngua. Bom, agora entra minha parte. Comigo acontece algo bem semelhante. Quando passo muito tempo escrevendo, e depois come�o a falar, falo como se eu estivesse escrevendo, usando express�es pouco usadas na l�ngua falada. Coisa rid�cula de se ver e de se escutar.
Quem sabe algum dia o mundo seja um lugar realmente bom, cheio de fraternidade e amor.
O Natal �
a semente de esperan�a
o brilho no olhar das crian�inhas
o mist�rio da vida
a magia dos pres�pios encantados
todo sonho concentrado nas bolas de Natal.
E Cristo � luz.
� o grande Sol que d�
luz, brilho, energia.
E o diabo tamb�m � luz.
E a mulher tamb�m.
E o homem tamb�m.
E a luz tamb�m.
E os bichinhos da natureza tamb�m.
Ontem mesmo fui ao cabeleireiro. � a sugunda vez que vou nele. Ele n�o se lembrava de mim. Mas falou as mesmas coisas que tinha falado da �ltima vez, dois meses atr�s. N�o sei se foi associa��o pavloviana ou o cara fala as mesmas coisas para todo mundo.
O sujeito era ultraconsevador de primeira, tinha a idade de setenta anos, embora aparentasse cinq�enta. Disse que uma das obriga��es da mulher � estar sempre cheirosa.
Come�ou a certa altura a falar sobre sua filha e na logo na seq��ncia disse que a mulher pensa com o �tero. Deu tamb�m alguns conselhos para mim. O pior � que falava tudo isso com muita seriedade. Disse para n�o transar com uma mulher sem que ela estivesse excitada, porque se a vagina estiver seca, ela sente dor.
Al�m disso, aconselhou-me a ir me masturbar caso a mulher n�o quisesse transar. Pois voc� fica tranq�ilo e n�o atrapalha o relacionamento. Disse mais um monte de barbeiridades.
Fez um longo discurso criticando o imediatismo. Distinguiu entre o ex�tico e o tradicional. Erigiu uma teoria relacionando o pezinho na nuca e o car�ter da pessoa. Pezinho muito alto � coisa de caipira, pezinho baixo � coisa de quem tem complexo de inferioridade. Fiquei chocado, pois nunca soube ao certo o tipo de pezinho que os outros cabeleiros fizeram em mim. Vai que eles quiseram zoar da minha cara, ou melhor, da minha nuca.
O cara era bizarro mesmo. O nome dele, Ulisses. Juro, � tudo verdade. Posso at� passar o endere�o dele para quem quiser.
Antes frequentava um outro que era te�logo. Sempre o encontrava na sinf�nica. Este tinha quase noventa anos, mas aparentava sessenta. Agora estou pensando, seria interessante fazer uma pesquisa sobre o assunto: barbeiros e a longevidade. Ouvi dizer que pintor, n�o de parede, tamb�m vive muito, mas a� j� � boato.
A obra liter�ria de Machado de Assis foi dividida em duas fases pelos cr�ticos. O divisor das �guas � o Mem�rias P�stumas de Br�s Cubas. Ao contr�rio de Wells, a segunda � bem melhor que a primeira, que � um lixo. Dos livros de Machado, o melhor s�o os contos, com exce��o de D. Casmurro, e Mem�ria P�stumas. Este �ltimo n�o precisa ser lido do come�o ao fim. Pois os par�grafos s�o bem melhores que o livro.
Dos duzentos contos que Machado publicou ao longo de sua vida, deve ter uns dez ou quinze que valham a pena. Tenho boas recorda��es de O Espelho, Igreja do Diabo, O alienista, A cartomante, Conto Alexandrino.
Mas muitos preferem n�o ler Machado, s� porque ele � mulato. Mas saibam, assim como Micheal Jackson, ele tamb�m tinha vergonha da cor. Sorte que n�o existia pl�stica � �poca.
Some times meu esp�rito inventa de me atazanar. Fica jogando na tela da imagina��o cenas indevidas, censuradas. Coisas que fariam corar a buchecha dos p�beres. Um horror. E o pior da baga�a � que n�o tenho como fugir de mim mesmo. Resta-me suportar-me e contorcer-me de vergonha.
Agora, por�m, resolvi a parada. Ganhei o concurso, feito por mim mesmo, do ser mais rid�culo que j� existiu. Onde chego, tudo fica rid�culo, meu modo de falar � rid�culo, minhas roupas s�o rid�culas, minha escrita � rid�cula, at� meu cheiro � rid�culo. E coala-peixe-p�ssaro-mutante � meu �nico senhor.
Caso contr�rio n�o me chamo Pulm�o Cabeludo, o supimpa.
9:08 PM
Mondo bizarro
Um amigo foi convidado a ser papai-noel, desses de loja. Um perigo. Ainda mais em Ribeir�o, que � um forno de cidade. Coitado, vai soar feito um porco debaixo da fantasia. O pior � que ele � um bom sujeito, n�o daria um bom ped�filo, e, portanto, n�o daria um bom papai noel.
Vai que uma criancinha inocente senta no seu colo e bum, o bicho cresce. A� eu quero ver o que ele vai fazer. "� pirulito meu filho, que caiu aqui dentro".
N�o, n�o pegaria uma bico como esse. D� cadeia.
9:00 PM
quinta-feira, dezembro 12, 2002 O que � que me deu na cabe�a?
Porra amigo leitor, realmente n�o sei o que me deu na cabe�a ao escrever algo t�o vulgar como "Mulher com pinto". D� pra ver que � uma linguagem nervosa. N�o estava bem quando escrevi isso. Al�m disso, a puta ( e n�o eu ) comete v�rios erros de portugu�s, denunciando que � mesmo uma intelecutal�ide de merda.
�s vezes, deixe-me confessar logo, tenho umas crises de viadagem escatol�gica p�s-moderna. Quando esse deus me possui, ou eu corro at� o mercadinho mais pr�ximo para comer umas bananas e aliviar minha tens�o. Ou come�o a escrever na tentativa de me livar do desejo que me esmaga.
A grosso modo, escreve-se coisas com as quais o leitor se identifica. Balela.
Conversa pra boi dormir � que � bom.
Carminha, por exemplo, ajudou muita gente a saciar fome e sede naquele Natal nos oitenta.
O s�culo vinte viu o irromper de duas grandes guerras, mas n�o viu muito bem, posto que � cego.
Criar leis regulando nossa privacidade � a coqueluche do momento. Liberdade. Escolha. Tudo isso deixa a gente perdidinho da silva. Queremos leis proibindo o uso de papel higi�nico rosa. Leis proibindo menos de tr�s passadas de papel no cu.
- M�dicos e psic�logos no governo! J�!
Pen�lope me ensinou, muito tempo atr�s, a arte de comer bosta. O Tempo aliado ao H�bito desgastou minha pr�tica. Hoje como mecanicamente, sem salivar ao sentir o cheiro.
Houve um tempo em que batia punheta e ao inv�s de letras sa�a porra.
Num dia chuvoso quis me matar, tomei dois litros de �gua com van�dio de Ibir�. Tou vivo at� hoje. Ou assim penso.
�s vezes tenho algumas paran�ias, do tipo mais leve.
Para piorar, oitenta por cento das vezes acabo confirmando o que antes s� desconfiava. O resultado � uma trag�dia pessoal.
Vem c�. N�o sou veado nem tampouco importante. N�o tenho m�ritos suficientes para ser alvo de ningu�m. Nunca consegui nada al�m de umas quatro medalhas em toda minha extensa vida. Duas de basquete no col�gio, aos quatorze anos; duas de t�nis, aos nove anos. Se tivesse feito bund�o em �nibus de excurs�o, v� l�. Mas nem isso.
Ent�o para qu�? S� se for por gosto, por capricho, de perseguir por perseguir. Nesse caso, est�o perdoados.
- E aê cara, beleza?
- Beleza.
- Tudo certo aí?
- Tudo?
- Mas fala aê. E o que é essa camisetinha colada hein? Ah! Eu não esperava isso de você. Baitolagem hein?
- Vai se fuder. É moda, a mulherada gosta.
- Sei, sei, a mulherada de pinto.
- Isso mesmo.
- O quê?
- É isso mesmo que você escutou, curto a mulherada de pinto. Traveco mesmo. No duro. Bem duro.
- Que isso!? Cê ta zuando na minha cara. Porra, quantas vezes agente saímos juntos para catar a mulherada e você vem agora com essa. Era o que faltava. Cê tá zuando. Fala sério.
- Não, meu! Caralho! Puta que pariu! Quem disse que é errado dar a bunda para uma mulher com pinto. É proibido por acaso?
- Não porra, cê não tá entendendo ou tá dando de João sem braço. Pega mal. Eu mesmo me sinto mal. Sei lá. Pensar que saímos tantas noites pra catar a mulherada... e de repente, todo esse tempo, você jogava no outro time.
- Quem disse que eu jogo no outro time? Isso é conclusão sua.
- Porra, você mesmo disse, cara. Você me disse que gostava de mulher de pinto.
- É isso mesmo, mas não gosto de homem. Não gosto de dar o meu boga para gay, bofe, michê, nem para bicha americana de bigode e roupa de couro. Definitivamente não. Gosto é de traveco, para falar tecnicamente.
- Tecnicamente?
- Isso. Na hora você nem pensa que é um homem, é mais uma mulher com uma pequena tromba ao invés da buceta. Necessita de muita capacidade de abstração para se concluir que aquilo é XY, homem.
- Tudo bem, vamos resumir. Quer dizer que você continua igual? Só mudou esse pequeno detalhe? Então me fala: e de mulher sem pinto, continua gostando?
- Porra! Pra caralho!
- Que bom. Então vamos catar umas putas?
- Agora.
Nisso, os dois amigos, resolvidos os desentendimentos, foram atrás das putas. Um deles pegou uma puta morena, bem rabuda. O outro pegou uma puta loura dos seios pequenos e bicudos. Foram para a mesma casa e ficaram no mesmo quarto. Se empaturraram de Whisky barato e pediram para as putas se lamber e fazer estripe. Após dar umas palmadas estraladas na bunda das vagabundas, Dioguinho começou a comer o rabo da morena. O outro, por sua vez, pediu a loura que enfiasse um cabo de vassoura em seu rabo. Nisso, Dioguinho, enquanto comia a puta, já com o suor a escorrer pela testa, virou o rosto para o lado e, reparando no pedido do amigo, disse, num misto de decepção e represália:
- Porra cara! Que isso meu, que coisa horrorosa. Come essa puta direito.
- Porra cara. Não tem nada demais...é só um cabo de vassoura...tá bom.
Então Vilela, pois o nome dele era Vilela, pediu para a puta enfiar o peito bicudo no cu dele.
- Enfia seu peito no meu boga.
- Não dá cara - disse a puta- Não tem jeito, eu não vou fazer essa nojeira. Escute bem: eu sou puta, mas sou honrada. Minha profissão é dar prazer aos homens e não fazer contorcionismos mirabolantes. Com isso nós passamos do limite da hiegiene. Não obstante, a consistência de meu peito, embora bicudo, não permite a concretização de seu desejo. Assim, não insistas mais. Mas se ainda assim persistir tua vontade, posso introduzir meu dedo indicador em seu ânus, enquanto rodo meu peito na região periférica de seu orifício. Talvez deste modo enganemos os sentidos. Isto, com efeito, é o melhor que eu posso fazer a fim de que você obtenha satisfaça. Bom, esta é minha opinião sobre o assunto. Desnecessário dizer que sabemos que cabe só a você a decisão final. Estou aqui para te servir, na medida em que você me pagar. Porém, lembre-se, você está limitado pelo princípio da realidade, e nem todos os seus sonhos podem vir a se tornarem realidade. Portanto, peço prudência, e digo que pense melhor antes de sair pedindo para mim qualquer coisa.
- Puta, minha amiga, suas palavras são sensatas. Deite-se e abra as pernas. Vamos fazer o clássico papai-mamãe.
Dioguinho viu o cara fazendo papai mamãe na puta loura e, apesar do tradicionalismo, ficou feliz com e por seu amigo.
sexta-feira, dezembro 06, 2002
Algum dia me libertarei das mulheres. N�o ag�ento mais ser pobre escravo delas. ( Das bonitas, as feias n�o s�o mulheres, s�o simplestamente do sexo feminino).
Sorte que a beleza est� nos olhos de quem v�. E sorte que existem pseudocomunistas que acham que o padr�o est�tico � mais um ideologia burguesa, e assim procuram suas parceiras usando como crit�rio o tamanho e a espessura do bigode.
11:17 PM
Emula��o
Se algu�m a� souber qual a rela��o entre linguagem e sentimento, por favor, coloque a explica��o nos comments.
Alguns anos atr�s, lendo Spinoza, conheci uma nova palavra: emula��o. "Sentimento que que nos incita a igualar ou superar outrem", como consta no dicion�rio (queria dar a defini��o do pr�prio Spinoza, que � bom melhor, mas n�o tenho o livro.
Emula��o n�o implica em inveja, que se caracteriza pela tentativa de destrui��o do atributo invejado. O interessante em Spinoza � que a emula��o n�o � ruim. � muito positiva, � um estimulante. � s� lembrar dos gregos, que em tudo competiam, at� em teatro, poesia, filosofia. Imagina Drummont competindo com Bandeira.
O que estraga � a inveja, sentimento t�pico do pior tipo de gente.
Uma voz interior me disse para escrever sobre algo de minha vida. Sobre alguma coisa t�o particular, t�o s� minha, que ningu�m, mesmo o mais curioso dos homens, seja capaz de ler mais do que um par�grafo.
Pensei muito antes de escrever tal coisa. Onde estaria a porra de paroxismo da idiossincrasia. Kafka n�o serve. Muito menos Kafta, que por ser de carne mo�da, � mais barato. Como voc�s podem observar, empenho todas as minhas energias em transmitir algo t�o in�til, t�o ridiculamente in�til, t�o absurdamente repetitivo que fa�a corar a face do leitor, que talvez suportou ler at� aqui.
Mas n�o. N�o. Na-na-ni-na-n�o! N�o posso exagerar demais, ainda mais com esses amantes da exegese de domingo que rondam como um bando de Jo�o-bobo pelas bocadas aqui do bairro. Quer dizer, se eu exagerar demais, o exagero pode at� ser um atrativo, e minha id�ia, ou melhor, o meu intuito, � escrever algo muito meu. Algo particular�ssimo. Semgrass�ssimo. Vamos ver. Vai inspira��o do caralho. Funciona. D� uma ajudinha a� minha musa.
Porra musa! Puta que pariu, me ajuda, fa�a qualquer coisa, sei l�, solte um peido, ou ponha a m�o debaixo do sobaco e simule um. Sei l�, fa�a qualquer coisa. Quem sabe assim encontre a inspira��o.
Pensando melhor, acho que em se tratando de algo do g�nero, nem � bom que haja inspira��o. Quanto menos melhor. Ent�o vai se fuder musa.
Acho que faz uns tr�s dias atr�s, acordei meio apressado e n�o sei porque diabos resolvi cortar a unha. Peguei a tesourinha e cortei a unha de um de meus p�s. Quando fui cortar a do outro, desisti, tava chegando o hor�rio, tinha afazeres, essas coisas. Ent�o coloquei a meia e calcei meu t�nis. Logo em seguida, acabei sentindo um certo mal estar. A unha de um p� tava grande ao passo que a do outro, bonitinha. Procurei esquecer. E consegui esquecer. Nem liguei mais pro fato. Ontem lembrei disso e cortei a unha do outro p�.
A minha forma preferida de cortar a unha � com tesourinha, n�o gosto de trim. Geralmente n�o deixo as unhas espalhadas pelo ch�o. Quest�o de higiene e bom gosto. Assim, ap�s recolher as unhas, n�o as joguei no lixo. Ah! Tem um detalhe importante, estava sentado no meu colch�o, que por sinal fica no ch�o. Acho que esse ponto que me referi logo atr�s � realmente muito importante.
Bom, a� eu recolhi os pedacinhos de unha e os joguei pela janela, de forma que eles ca�ram no quintal de casa. Mas n�o h� problema nisso, a D. Vilma depois limpa. Outra coisa que deve ser salientada aqui � o fato de que fiz isso mecanicamente, devia estar pensando em outra coisa durante todo esse processo. E e e e e e e e ee e e e e e e e e e e e e e e e e e . Fuin. Fuin. Epa. Ebaj�. Enh�, Enh�, Enh�. Desculpe. Pe�o mil desculpas por ter um arroubo. Aroubo de... Arroubo. Adoro ter arroubos. �s vezes estou subindo a escada e tenho um arroubo. Da� fico arroubando um certo tempo at� que passa. Tem gente que s� gosta de arroba. Eu gosto de arroubo. Tem gente que � palha�o e a gente ri que d�i. Tem gente que � palha�o e a gente ri de d�. E tem gente que a gente tem d� de tanto rir. E tem gente que inverte as coisas de uma forma muito ruim, muito sem ritmo e
quarta-feira, dezembro 04, 2002 A dona do conhecimento
Quando ela me anunciou sem frescura que qualquer recorte da realidade quando bem percebido e bem analisado pode ser bem envolvente e intrigante, fiquei espantado e tive vontade de chorar. Depois resolvi fustigar a id�ia.
Suponho que meu espanto n�o seja nem � toa nem apenas por mim compartilhado. Vejamos: uma caneta. Reparemos todos os seus pressupostos, observemos na �ntegra todos os fatores que a levam existir. O c�lculo nunca chegaria a um fim. Economia. Petr�leo. Pl�stico. Consist�ncia da mat�ria. Exist�ncia do papel (afinal para que a caneta sem o papel). Quer dizer: a caneta traz em seu interior o mist�rio do mundo, assim como a mulher traz ao mundo o mist�rio do amor.
Muito satisfeito com a precis�o do pensamento de minha amiga, disse para ela que eu a amava e com ela um filho queria ter. Ela, por sua vez, sorriu um riso monal�sico, me deu um beijo a um canto da boca e se retirou de mansinho at� que se transformou em borr�o - pois tenho problema de vista e sem �culos estava. Mas ainda assim ficou no ar um pouco de seu perfume.
segunda-feira, dezembro 02, 2002 Viva a auto-sufici�ncia
Quantos escritores j� n�o escreveram obras imensas. Existem milh�es de livros. Milh�es de id�ias no papel! Mas, me pergunto, que livro pode exprimir o que � meter com uma mulher real? Que fic��o superar� a realidade? Vivemos em um mundo real e nada mais real do que o mundo. Mas, na realidade, n�o basta, de jeito nenhum, a realidade. A realidade � linda e tamb�m � feia. A realidade existe sim e a vida n�o � um sonho como querem alguns poetas amadores. N�o h� absolutamente nada para refletir naquela est�ria do s�bio chin�s que sonhou que era uma borboleta e, ao acordar, ficou em d�vida se n�o era uma borboleta sonhando que era um s�bio chin�s. N�o faz o menor sentido este pensamento: a verdade � que os sonhos nascem e morrem em uma �nica noite. Mas a vida, ao contr�rio persiste por v�rios dias. Muitos dias mesmos.
Concordo que a vida � m�gica. Concordo que a vida � xula. Concordo que todos os sabores pertencem � vida. Mas s� n�o concordo que a vida seja um sonho. Meu Deus! Ser� preciso dizer que h� certa perman�ncia do �eu�, que o �eu� tem uma certa const�ncia. N�o. N�o � preciso dizer tamanha obviedade. Mas � chegado a hora de mandar tomar no cu toda e qualquer obviedade. Deixemos o mundo do �bvio para as pessoas �bvias. N�s, n�s que n�o estamos atrelados a nada, n�s que flutuamos na realidade, na realidade da dor, na realidade do sangue, n�s, digo, n�s �vamos para frente por que para tr�s n�o d�. Vamos andando, andando, andando. Andando meio que voando, meio que sonhando, meio que dormindo, meio que atropelando. Sei que a maioria das coisas acontecem antes que n�s as fa�amos, tal como disse Kafka, aquele ser magro que uma vez pensou que era uma barata, ou melhor, que fingiu ser uma barata. Todo escritor, para escrever o que quer que seja, sobretudo se o autor escrever em primeira pessoa, � obrigado a encarnar algu�m, tem que tentar enxergar com olhos que n�o s�o exatamente os seus. Para ser mais exato: o artista pega uma parte de si mesmo, distorce, aumenta e a alimenta, at� que essa parte fique gorda e forte. Ent�o o artista usa este dem�nio que existia dentro de si, faz um pacto com estes fantasmas que o atormentam, com este seu lado insano, que tem fome de express�o, usa sua for�a - esta doen�a da alma tem muita for�a, ela impele-o a se expressar, � t�o imposs�vel para ele reter a efervesc�ncia interior quanto reter o v�mito ou a diarr�ia. Sim, o que h� dentro dele deve ser expelido, o veneno deve sair de sua mente para ser depositado no papel.
Esta � a descri��o do artista amaldi�oado, a maioria deles. Artistas que n�o passam de estere�tipos rid�culos, t�o infames ao grau de enrolar uma tampa de privada em um cobertor e dizer que � uma obra de arte. �s vezes, por�m, essa esp�cie de artista aprende a destilar o veneno, transformando a b�lis e a paran�ia em algo visivelmente belo.
�Mas sempre, sempre, arte nenhuma, livro er�tico nenhum, substituir� uma bela metida.�
O que eu disse anteriormente � uma atrocidade. A melhor coisa na vida � a independ�ncia, � a auto-sufici�ncia. O que quero dizer � que a �nica forma de se atingir a liberdade � a punheta. � isso mesmo. Uma boa punheta � melhor que qualquer mulher. N�o tenham medo, meus amigos, batam punheta! Qual � a pessoa que mais amamos? Ora, n�o est� mais do que claro que esta pessoa somos n�s mesmos. Portanto, nada mais sensato do que fazer sexo com n�s mesmos. Necessitar de mulher � coisa de d�bil mental. Para qu� tanto trabalho para catar mulher se podemos fazer tudo com as nossas pr�prias m�os, no nosso pr�prio ritmo, quanto tempo quisermos? N�o faz o menor sentido ficar com mulher nenhuma, seja l� qual for essa mulher, bonita ou n�o. Para conquistar o cora��o de uma mina, uma mulher, uma mo�a, uma gostosa, somos obrigados a fingir que n�o somos n�s mesmos. Como conseq��ncia - dessa atrocidade para com n�s mesmos, para com nossa honra - perdemos nossa alma, perdemos nossa liberdade, somos humilhados por uma buceta, passamos a ser meros escravos de uma bunda feminina, de um corpo feminino. Escravos de uma luxuria mal canalizada, que faz sentirmos mais tes�o em uma mera mulher que em n�s mesmo. Isto � rid�culo para n�s que somos potencialmente t�o auto-suficientes. Batam punheta! Sejam, pelo menos nesse aspecto, inteligentes. Vamos todos bater punheta! Vamos todos juntos mandar Darwin se foder. Que transmiss�o de gen o caralho!
O tempo gasto indo atr�s de mulher � um tempo absurdo: quantas coisas melhores n�o poderiam ser feitas nesse tempo? Quantas, meu Deus, quantas? O pior � que todos os homens querem mo�as bonitas, querem aquelas que s�o as mais gostosas. Batem punheta pensando nestas mulheres. Mas isso � um absurdo! O homem deve aprender a bater punheta em frente ao espelho, olhando para si e sentido tes�o apenas em si mesmo. S� assim a humanidade ser� feliz. Fazer sexo. Necessidade de se transar com um sexo oposto. Quanta fraqueza de esp�rito! Mas o pior ocorre no caso dos homens, que procuram e casam com suas mulheres apenas pela beleza, estes s�o os mais jumentos: n�o sa�ram da idade das cavernas. A mulher, pelo menos, a mulher comum, busca o homem por dinheiro e n�o por beleza. Esta hist�ria de corpo masculino bonito faz qualquer mulher rir. Quem gosta de homem bonito � veado. Isto acontece porque um dia o veado j� foi homem e quem mais se preocupa com esta est�ria de corpo � homem, ou ex-homem.
O que proponho, amigos, � que simplesmente saiamos da barb�rie. Paremos com essa est�ria no m�nimo absurda que o homem � um animal e, portanto, quer passar seus gens �s mulheres com corpos belos que podem gerar bons filhos. Isto n�o passa de chav�o bobo. Isso � uma verdadeira ingenuidade, isto � a mais pura loucura moderna: colocar o homem outra vez ao lado dos animais irracionais. Isso � coisa do pov�o. Estes sim. Estes s�o realmente animais, animais em tudo, na forma de pensar, na forma de agir. Mas n�s, os humanos, j� passamos pelo iluminismo j� faz muito tempo. Somos homens racionais e sabemos que esta palha�ada de dizer que somos animais � no m�nimo pura idiossincrasia de algumas topeiras.
Quem aqui j� amou sabe melhor que ningu�m que nenhum amor substitui uma bela punheta, feita num dia de Sol, dentro de um belo rio. Apenas n�s, o belo rio, os peixes e a punheta. Este dia ser� o dia perfeito: o homem em paz consigo mesmo; o homem que n�o precisa de ningu�m a n�o ser a si mesmo. Viva a punheta, nossa salvadora!
Bom, hoje � domingo e domingo, para mim, � um dia bom. N�o � apenas domingo e pronto. � muito mais que isso. O domingo fermenta meu passado, amplia minha mem�ria e devolve a cada lembran�a a cor e o sentimento original. No domingo, n�o preciso viver l� fora, vivo c� dentro. Vivo o reviver de um passado que volta a ser agora. Se quisesse ser mais exato diria: transvivo o j� vivido. Pois as lembran�as passadas n�o chegam at� mim em sua forma neutra - simbolismo puro vagando no espa�o seco de minha alma - replica exata daquilo que foi.
Elas v�m, pelo contr�rio, impregnadas de poesia, de nostalgia, de saudade, de devaneios. Re�nem em seus olhos esperan�osos as possibilidades que se perderam na curva do tempo - tudo o que seria, mas que, infelizmente ou felizmente, n�o foi. Eterno futuro do pret�rito vivo, em que tudo � perdoado e aben�oado no eu de domingo.
Tudo isso, para mim, � o domingo. A alma sai de sua toca, pega o foguetinho maneiro, e vai, em espirais de disco voador, para o espa�o mais �ltimo e mais �ntimo do ser. Tangencia o n�cleo adimensional cujo nome � �Em si�. At� que chega numa estratosfera de sonhos muito rarefeito. Um lugar de introspec��o sem reflex�o, sem reflexo, sem espelho, alheio a toda burocracia.
Domingo � isso. Deitar e nirvanar pelos tempos que j� foram. Sentir a alma dancinflar ao som de Beethoven. Entrar em conson�ncia com a m�sica divina que penetra e perpassa, a todo instante, o sem fundo de minha alma, esse ala�de de mem�rias e desejos.
Gostaria de ter um bot�o de delete na consci�ncia para apagar minhas lembran�as. Afinal, o pior n�o � fazer cagada, o pior � se lembrar delas.
Mais j� dizia o charlat�o de Viena. Esquecer � muito dif�cil. Muito mesmo. E � por n�o conseguirmos esquecer que somos assim- bu�anha - t�o neur�ticos.
" Bu�anha". T� a� uma bela palavra. Posso at� imaginar:
- E a� gostosa, posso comer sua bu�anha?
- Opa, minha bu�anha � toda sua.
Quantas vezes ser� preciso dizer que a inten��o de ser n�o faz o ser. � camarada. Muitos ainda vivem na inten��o, e dela s�o escravos.
� por isso que, para que os planos saiam do papel e se concretizem, s�o necess�rios n�o apenas sonhos e engenhos, mas de pedreiros.
E que n�o seja esquecido: h� v�rias esp�cies de pedreiros. Na vida conheci muitos.Tem uns que s�o calmos e caprichosos, outros que s�o afobados e nem sequer reparam que a boa mistura de cal e cimento � fator crucial para uma casa s�lida.
E esse � ponto: de casa s�lida todo mundo gosta, mas de ser pedreiro e suar em bicas debaixo de um Sol escaldade - a� todos retiram o corpo. E eu sou o primeiro, dada minha origem europeia.
Palha�ada n�?
E isso � li��o de moral mesmo.
Quer dizer, temos de ser caprichosos. Sei que � dif�cil, j� diz o ditado: "Quem capricha vira bicha."
Caramba! Mas n�o necessariamente. E enfatizo isso. N�o necessariamente.
Cerca de dois anos atr�s conheci um japon�s. Tudo que fazia, fazia para ser o melhor. Toda vez que encontrava algu�m que fazia melhor, abandonava a atividade. No fim, sobrou-lhe duas coisas nas quais era insuper�vel: jogar pac-man e resover equa��es de um tipo muito espec�fico, muito mesmo.
sexta-feira, novembro 22, 2002
A dimens�o corp�rea me assusta.
A plasm�tica tamb�m.
1:48 AM
Uma certa dose de fanatismo de vez em quando � bom pra garganta seca. Alguns antigos n�meros de barro encotrados na �ndia foram encomendados para o Nepal recentemente.
Abre um furo na mem�ria:
Yin e Yang.
Princ�pios c�smicos e irrefut�veis,
Transcende qualquer verdade,
Imut�vel. Incolor. Irredut�vel,
Pertence a outra dimens�o.
Uma dimens�o paralela onde tudo � transfigurado,
Em seus elementos simples.
Pequenos �tomos de consci�ncia de perfei��o divina,
Flutando como inc�lumes bolhas plasm�tico-on�ricas no espa�o infinito de meu desejo,
Retumbando como canh�es surdos que faz ressoar a caixa tor�xica.
- Como � que voc� vai?
- Projetando muito.
- Que bom. E voc�?
- Introjetando muito.
- Introjetando o qu�?
- Balas, figurinhas, bocas, cadeias.
- Ah! Que legal!
- Super divertido.
- E o universo simb�lico?
- Difuso.
- Puxa vida hein! Difuso! Quem diria! Logo voc� que era t�o...t�o...sei l�? Quem poderia imaginar, voc� fazendo esse tipo de coisas.
- Mas como � que est� a estrutura do universo simb�lico?
- Boa. S�lida. Cobi�osa.
- Assim que � b�o.
- E o campo de sentido. Germinou esse ano? Foi boa a colheita?
- T� que t� uma beleza. Precisa v�.
- Que b�o.
- Virge Maria Deus L�ca. Cum� que pode cumpade?
- Jesus nosso sinh�!
Desse jeito vou acabar escrevendo canhotices. E de canhotice j� chega o nosso vizinho.
Se algum dia me perdi numa nunvem de palavras vazias de qualquer conte�do l�gico, n�o foi por acaso.
N�o.
Se algum dia escrevi de modo matem�tico. R�boticos, sem ritm�mico.
Quero que junte todos v�s, enfileirados, em um dia estilo "lado para o outro", louvando a gra�a de Deus! Ui-ui! Deus � uma gracinha.
Mais bonito que �gua de c�co em dia praia.
Amo os dia de praia, em que o sol bate sobre minha pele �spera. Amo o sol e sua beleza dura, vejo formas variadas nas nuvens, que viajam fofas pelo espa�o. At� que berra gigantesca figura amorfa.Uma almofada gigante vagando pelos c�us de Marte. Imenso supl�cio indescrit�vel. Um guarda coco enferrujado, cheio de punugens e amizadas esquecidas, que se apagaram em movimento fade-in dentro de um esp�rito �mido.
Vem c�. E se algum dia descobrissem a melhor maneira de se pensar. Eu? Deixaria de lado a forma atual e adotaria sem demora a novidade, como um novo chips de melhor qualidade. Voc� tira do cabide a alma a antiga e a troca por uma novinha em folha, bem disposta e jubilosa.
Essa coisa de pensamento n�o � brincadeira n�o. Deixa agente louco. De costume, penso em coisas cotidianas, no fatos corriqueiros e asquerosos: no que eu vou fazer na seq��ncia, nos problemas de um pouco adiantes, na gasolina que t� acabando, no trabalho de faculdade que tenho que Devo entregar. Penso tamb�m em �coisas emocionais�. Sou um para-choque de emo��es. Muitas vezes, em h�bris, surpreendi-me com palavras desmedidas que escaparam impunemente da minha l�ngua.
De vez em quando, muito de vez em quando, fico pensando nas boas e belas coisas do mundo. S� muito de vez em quando penso nas minhas conquistas. Mas isso � raro. Muito raro... Acho que � porque o ser humano, como nos lembra Schopenhauer, costuma fixar sua aten��o nos pontos dolorosos, ou talvez, porque eu tenha poucas conquistas mesmo.
Na maioria das vezes quando algum colega otimista vem em meu aux�lio, chamando-me a aten��o aos pequenos detalhes gostosos da vida, tal como cheirar flores, digo pausada e naturalmente que prefiro carne mijada.
Quem n�o percebeu ainda, que perceba. N�o te culpo nem vou te punir por n�o perceber. Afinal voc� � voc�, oras bolas. Al�m do mais eu te conhe�o de longa data: n�o ir�amos brigar por algo t�o besta.
O fato � que quando digo �carne mijada�, digo apenas pelo efeito que isto produz. Para tanto, sacrifico o conte�do do post, tamb�m a linearidade do post e sem contar a consist�ncia do post. Como se n�o bastasse, ainda por cima sujo o post, degrado o post.
Se voc�s me conhecessem melhor n�o ficariam espantados com isso. Basta lembrar-lhes que passei alguns meses gritando com um saco de lixo. Tentava a todo custo encher sua cabe�a de id�ias, preencher seu vazio interior com palavras doces e amargas...
terça-feira, novembro 12, 2002 Casa nova, nome novo, vida velha
Come�ando pela mudan�a de mim comigo mesmo, de S�vio para Jo�o,
Agora mudo meu template.
Mais tarde mudarei tamb�m, seguindo o exemplo de meus conhecidos, o sexo.
Quem sabe assim finalmente comece a brotar cabelos no pulm�o.
Este template, que j� foi habitado por celebridades como D.R.G, merece uma certa dose de respeito.
Portanto, espero n�o cagar na gaveta, nem limpar na cortina.
Al�m disso, o espa�o para o texto � mais comprimido.
Comprimindo, ainda que a for�a, minha proliquicidade.
domingo, novembro 10, 2002
L� vamos divertir a valer,
Amar e morrer.
10:08 PM
Oco
Abriu a porta e entrou com o passo lento. O que tem do outro lado? N�o se sabe.
V� um quarto, vazio, fechado, oco. Olha para tr�s.
Porta n�o h� mais.
Resta apenas a si mesmo. Trancado, enclausurado, neste quarto fechado.
Seus tijolos s�o maci�os. Gigantescos blocos de pedra cinza indiferentes � qualquer dor.
Luz? Luz n�o h�.
�gua?
A sede n�o � capaz de parar seu cora��o.
O olho?
Seu olho n�o v�.
Sobrou apenas.
Produto de uma escolha errada.
Resultado de um passo errado, de impensada ousadia. Um passo que nunca deveria ter dado.
�s vezes, arremessa a cabe�a contra a parede, para ver se amansa o desespero.
Ele, que nunca foi louco, est� mais perto da loucura.
Id�ias insanas misturam ao sangue j� coagulado de sua testa.
O quarto � pequeno. N�o h� ar.
Porque tanta maldade?
N�o � maldade. � indiferen�a.
"No in�cio era o verbo" n�o tem um qu� de platonismo. Como se a id�ia viesse antes da mat�ria. N�o sei. Sei que temos um mundo interior, e nele podemos encontrar verdaderas del�cias.
2:30 AM
� duro ser sincero
� duro ser sincero. Realmente � uma frase batida. Mas somos obrigados aceitar que tem um monte de frase muito batida mas muito verdadeiras. Esta � uma delas. Um universit�rio muitas vezes tem vergonha de n�o ser original. Mas depois de que li um pouco de Arist�teles, cada dia me importa menos a minha falta de originalidade. Essa coisa de querer ser original � um mal que os pequenos burgueses do romantismo inventaram e pegou. O amor pela originalidade � mais um dos produtos da exalta��o desmedida do individulismo e da subjetividade.
Assim, todo dia, fa�o o exerc�cio de me tratar por Jo�o, isto �, converso comigo como se eu n�o me chamasse S�vio, mas Jo�o.
Um dos conceitos mais interessantes da psican�lise � o de proje��o e introje��o. Desses dois conceitos derivam muitos outros. Que tenhamos certeza, projetamos e introjetamos muito. Quando conversamos com uma pessoa pela primeira vez, necessariamente temos que projetar muito, isto �, exige um certo preconceito.
E idiota os que dizem que o preconceito � uma mal em si. O preconceito � necess�rio para que possamos viver. Mas o preconceito inicial em rela��o �s coisas e �s pessoas deve, a medida em que conhecemos melhor, ir se diluindo, caso tenhamos os olhos abertos.
Mas tem muita gente que se nega a ver as pessoas como elas s�o. Querem for�ar as pessoas serem como elas querem que elas sejam. Estas pessoas lan�am para o mundo um olhar de medusa, que petrifica aquilo que v�. Para estas vale o ditado. A primeira impress�o � a que fica.
� estranho para mim escrever neste blog em s� consci�ncia. Sofro alguns males que n�o me permitem dar vaz�o ao que sinto. Mas, assim como quando a chuva enche a tubula��o de esgoto, fazendo a �gua sair pelos bueiros, assim escrevo de vez em quando neste blog.
A Colorina me disse pessoalmente que toda vez que entra em seu blog, sente vontade de escrever sobre o Lula. Eu n�o. N�o sinto vontade de escrever sobre nenhum homem barbudo que n�o Arist�teles. Mas, atualmente, n�o detenho o foco de minha aten��o sobre o problema da subst�ncia, nem da coisa em si.
Mas ent�o: o que te interessa, S�vio? Resposta: coisas realmente importantes para o bem estar da vida, como Buda C�smico, a quem n�o canso de agradecer por todo o bem que fez e ainda faz pela d�bil humanidade, destruindo, com suas setas de amor, os meteoros dos alien�genas de Plut�o e Saturno, e principalmente Plut�o, planeta frio e distante.
1:15 AM
A m�quina de comparar.
Era uma vez um amigo que era uma m�quina de comparar. Comparava tudo com tudo. Conseguia comparar coisas que uma intelig�ncia ordin�ria consideraria imposs�veis de compara��o. E suas compara��es eram impressionantemente boas. Sabia encontrar entre as coisas comparadas o que havia de igual e diferente entre si. Adorava descobrir o que havia em comum e o que havia de diferente. Mesmo objetos aparentemente id�nticos eram comparados por ele, e, via de regra, encontrava diferen�as extraordin�rias.
N�o sei onde ouvi dizer que, depois de Nietzsche, Montaigne � o fil�sofo que mais usa o pronome "eu". Realmente, seguindo o bons conselhos de Radamanto, resolvi dar uma olhada em Montaigne. Destaca-se dois ensaios. Em primeiro lugar o sobre a Morte. Em segundo um que trata da Imagina��o. Sobre a morte, foi um dos melhores ensaios que j� li sobre o assunto. Se n�o me engano, este ensaio mudou minha vida. Montaigne diz que nunca houve homem na terra que tenha pensado mais na morte do que ele. Pensava a cada hora. At� que aos trinta e nove anos j� n�o tinha o menor medo. Talvez seja um processo semelhante quando repetimos uma palavra at� ela perder o sentido. N�o sei. Sei que o ensaio � muito bom.
sexta-feira, outubro 25, 2002 N�o brinque com os deuses
Pulou no trampolin da morte por nove vezes e por nove vezes sobreviveu Filolau, semelhante aos deuses, em for�a e ast�cia. E, por ter a amada sido raptada por Zeus, Filolau, com ira infundida no cora��o, perjurou os mandamentos divinos, e zombou dos culto dos mist�rios, em tenebrosa f�ria. Ent�o Filolau, filho de Aritmeu, aquele da m�o de pel�cia, que com suas terr�veis vespas, fez tremer os filhos de Cadmo, foi visto, do alto do Olimpo, por Apolo, cuja m�sica acalma at� os vegetais. O arqueiro infal�vel, destituido de piedade, filho de Leto, irm�o de �rtemis, lan�ou, de cima de uma nuvem, com seu punho potente, flechas vibrantes, que rasgaram o ar e percorreram longas dist�ncias, at� que perfuraram ambos os olhos de Filolau, semelhante aos deuses, em for�a e ast�cia. O sangue ainda quente jorrou de seus olhos pela terra seca, formando po�as que embarreavam a areia, formando esp�cie de coagulo vermelho-amorronzado. Em volta do cad�ver, rondavam sombras de p�ssaros col�ricos, enquanto as formigas lhe invadiam a boca.
Quem quisesse ir naquela festa tinha que deixar a alma em casa e levar apenas o corpo. Pois aquela festa era uma festa de animais e n�o festa de gente. Eu marquei bobeira, e levei minha alma para festa. O clima era um clima sexual, um cheiro de suor que dominava tudo. Mulheres dan�ando, homens dan�ando, gente falando. A maioria das pessoas bebendo. Todos agindo de forma extremamente animalesca, conversando conversas animalescas e eu l�, na festa, � um canto, carregando minha alma em um ambiente desalmado, totalmente animalesco, um mundo onde apenas o sentido sexual prevalecia, um mundo cheio de dan�a. N�o sei quem falou que a dan�a � a express�o vertical de um desejo horizontal. Estava certo. Concordo.
Quem estava na festa, repito, n�o tinha alma. Era imposs�vel conversar sobre qualquer coisa que exigisse um pouco mais de reflex�o. Ningu�m estava l� para refletir, ningu�m estava l� para recolher impress�es como eu, eu que escrevo as impress�es que eu tive da festa. As pessoas que estavam na festa apenas agiam totalmente por impulso, por instinto. As mulheres n�o estavam agindo conforme a vontade de sua mente. N�o! Elas estavam agindo conforme a necessidade de sua buceta. A �nica cabe�a que funcionava naquela festa era a cabe�a do pau.
Por favor, meu leitor, n�o diga que sou obsceno, nem que eu tenho uma vis�o distorcida da realidade. Por favor, n�o diga isso. Voc� n�o estava l�. Eu, eu estava. Eu vi com meus pr�prios olhos, vi tudo isso que estou contando. Se uso a palavra buceta � apenas para facilitar a comunica��o. Poderia usar, se quisesse, vagina. Mas n�o seria a mesma coisa. Posso continuar ent�o a contar como foi aquela festa? Pois bem, continuemos.
J� disse que o que imperava l� era o sexo, que a festa tinha um sabor todo l�brico. Esse era o sentido da festa. Era para isso que aquela festa servia. Essa era o papel da festa: ser l�brica, a festa servia para a felicidade do animal e n�o para a felicidade do homem.
Algumas coisas eram realmente pat�ticas, mas, meus amigos, o que esperar do animal sen�o o pat�tico? �, � verdade, sou obrigado a concordar com voc�s, meus amigos, essa animalidade tamb�m tem um fundo de beleza. A beleza dos belos corpos femininos se remexendo, dan�ando de forma provocante, toda essa coisa meio er�tica, essa provoca��o instigando-nos a socar a pirosca numa bela bunda. Confesso que era tentador, que isso n�o era l� a coisa mais pat�tica. Mas, eu pude ver com meus olhos um pobre cara xavecando a festa inteira uma gostosa.
Foi realmente rid�culo o que esse pobre cara passou. Ele ficava o tempo inteiro dando em cima da gostosa. A gostosa, que o conhecia, ficava fingindo que n�o estava entendendo, ficava fingindo que ela era s� uma amiga. Por vezes ela fazia pequenos coment�rios sobre a forma vulgar com que ele fitava as outras mulheres, dizendo que a menina havia perdido vinte quilos etc. Ele, ent�o, ficava meio perdido: se ele dissesse que n�o estava olhando, pegava mal para ele, pois iria dar a impress�o que ele era veado. Se ele dissesse que estava olhando, ele mostraria desinteresse em rela��o a ela. O pobre cara, todo embara�a e numa posi��o realmente dif�cil, acabava por fazer uma brincadeira como �s� estava olhando o refrigerante dela� e ria logo em seguida. Ela, muito esperta, tamb�m ria.
A cara de burrice das pessoas que estavam na festa � inexprim�vel. As mais bonitas principalmente, com todo aquele corpo perfeito e aquela cara de burra, aquela cara de burra de doer. Essa � minha impress�o, quero deixar isso bem claro. E essa � minha impress�o da festa, daquela festa que voc�, leitor, voc� n�o estava. N�o acho, sinceramente, que toda mulher bonita � burra. Mas se voc� estivesse l� voc� veria a cara de burra delas, principalmente das mais bonitas. Os homens? N�o reparei muito neles, para mim n�o passavam de homens, todos animais, todos est�pidos agindo estupidamente, como j� disse, completamente governados pela cabe�a, digo, pela cabe�a do pau. Que mais eles queriam? Sen�o catar uma buceta?
N�o, n�o acho que estou exagerando, n�o acho que estou sendo moralista. � isso mesmo. Eles s� queriam sexo, simb�lico ou carnal, n�o importa. Qual o problema nisso? A festa n�o estava l� para isso? A m�sica n�o estava l� para isso? Bem...no final da festa tinha j� muitos casaisinhos se beijando etc. Em todo lugar que ia tinha um casalsinho se beijando. Foi, pode-se dizer, uma festa bem sucedida. Festa boa � quando ela forma um monte de casalsinho. Essas sim, essas s�o as boas festas, quando o homens e as mulheres b�bados, a bestialidade fort�ssima, a buceta escorrendo l�q�ido lubrificante e pau melando a cueca. Essa sim. Essa � a boa festa.
O que? Est� achado que eu estou com inveja? S� porque eu que fui na festa sem deixar a alma em casa. Enquanto as pessoas estavam leves e alegres, eu pesado, profundo, apenas observando como se fosse um alien�gena almado, totalmente deslocado da festa, totalmente sem conseguir participar da festa apenas porque n�o estava disposto a fugir de mim mesmo. Voc� acha ent�o que estou desdenhando a festa apenas devido a minha incompet�ncia de mergulhar nela. O que? Est� me dizendo que se uma gostosa chegasse me beijando e se esfregando em mim eu n�o escreveria isso sobre a festa? Apenas ficaria me deliciando? Apenas sentindo o prazer? Est� me dizendo que esta � a melhor esp�cie de prazer? Que o prazer de conseguir uma gostosa � algo magn�fico? O prazer de estar com uma gostosa � sensacional?
�, � verdade. Pronto. Confessei. Mas e se eu disser que j� tenho uma gostosa e que essa gostosa est� em minhas m�os, j� � uma mestre em me servir, que me serve como ningu�m, e, al�m de tudo, tem muito mais do que seu corpo, que por sinal � belo. � �bvio que essas coisas como amor n�o � para esses primatas que v�o numa festa. O amor � coisa para poucos. � coisa para as pessoas cuja ess�ncia � uma ess�ncia especial, diferenciada, mais humana. Muito diferente desses bando de animaisinhos pe�onhentos que adoram ficar se esfregando um no outro. Transam com corpos e n�o com pessoas.
Sim! N�o passam de cadelas e c�es no cio! Meu Deus! S�o esses b�rbaros que constr�em o mundo! Se o neg�cio � o corpo, que sejam mais diretos: porque esses dementes n�o contratam prostitutas de luxo. Elas s�o muito bonitas mesmo, s�o charmosas, n�o d�o trabalho nenhum e ainda por cima, s�o limpinhas. Mas eu sei porque eles, digo, os primatas n�o as procuram. Porque eles n�o tem dinheiro para isso. As mulheres que est�o na festa s�o mais dif�ceis e portanto � mais glorioso para o bando de primatas que l� estavam presente conquist�-las.
O que eu estava fazendo na festa? Estava l� para conhecer as pessoas. Como? Como que eu conheci se n�o falei com nenhuma delas? Simples, fiquei olhando, se conversasse, a� sim, a� sim eu n�o conheceria. Fiquei lendo as caras, os gestos, o modo de se vestir, as poses e os sorrisos. N�o fui, � claro, para conhecer exatamente aquelas pessoas. Queria conhecer o ser humano e acabei descobrindo animais.
Tinha uma loira que tinha um corpo bonito, muito bonito mesmo. Usava uma cal�a branca colada, um cintinho, uma camisetinha colada e ficava andando para l� e para c�, com um ar meio de � De todas as meninas aqui presentes eu sou superior, pois sou a que mais pare�o com a Barbie. Sou, al�m disso, a mais gostosa daqui, a minha buceta � a buceta mais desejada.� Percebia-se claramente que sua buceta n�o estava molhadinha, apenas seu orgulho estava molhadinho. Mas um tempo depois chegou um cara bonito que sabia dan�ar bem, com uma cara de simp�tico, convidou-a para dan�ar, ela aceitou e mais um casal se formou, mais um esfrega - esfrega sem fim.
quinta-feira, outubro 17, 2002 S�vio na cidade grande.
Lendo um dos posts de Iago, lembrei do tempo que morava em Sampa, naquele apertamento bizarro l� na teodoro. Tinha muita coisa foda naquele apartamento, como a densidade demogr�fica. Mas uma coisa bem dif�cil era conseguir ler no ap�, mesmo nos raros momentos quando n�o tinha ningu�m l�.
Do lado de fora, l� em baixo, na rua, podia se avistar da janela uma infinidade de camel�s. O pior deles era um que passava o dia inteiro gritando, com uma voz meio aguda, maio nasalada, com uma tonalidade meio maquinal:
"Capa de video, capa de controle, s� um real, � s� um real"
e tinha outro que tinho o ponto bem do lado de dele e fazia coro com a cara da capa de v�de. Esse berrava:
" Ceeeeeeeeeeento e cinq��nta cotonete um real .� s� um real."
E assim ficava os dois anunciando seus produtos enquanto eu tentava estudar algo como f�sica matem�tica. Algumas vezes me dava um nervoso t�o grande - eu fecheva os olhos e podia sentir aquelas duas vozes entrando no meu corpo e fazendo vibrar todos os nervos respons�veis pelo nervos�smo. Chegava ao paroxismo da desespero e raiva, queria matar aquelas criaturas. �s vezes aproximava-me da janela e cuspia sem ser percebido. Outras vezes debru�ava sobre a janela e ficava obsevando o cara do cotonete e da capa de controle, para ver se algu�m comprava mesmo aquelas porcarias. O pior � que compravam. Mas o pior mesmo � que um dia eu mesmo comprei o cotonete.
Com o tempo estes dois camel�s foram tomando para mim uma significa��o estranha. � dif�cil explicar. � como algu�m que est� na floresta e escuta um bando de p�ssaros, mas n�o ouve estes p�ssaros. Assim, n�o era mais berro o que escutava, eram piados, sons naturais, que iniciavam as oito e tinham t�rmino as seis da tarde. Para mim, estes camelos s� existiam enquanto gritos, eram mais um grito do que um camel� mesmo. Era, por assim, dizer, um grito que por acaso tinha uma parte material. Esse grito aparecia em tal hora do dia e ia embora em outra hora. N�o tinha fam�lia, paix�es, medo da morte nem nada.
Porra, mas imagina, uma pessoa que passa todos os dias gritando a mesma frase � quase um monge entoando infinitas vezes seu c�ntico. Sei l�.
Mas fico aqui por hoje. Pensava em falar do "Grupo S�rgio", onde com�amos esfihas por dezenove centavos. N�o sei porque, mas me causa uma emo��o muito grande relembrar de eu sentado na mesa da rua, em frente um puta avenid�o, comendo aquelas esfihas, borrifadas de catchup, discutindo se Einstein era picareta ou n�o, num lugar onde eu era muito mais que an�nimo, onde ningu�m de meu passado me conhecia.
Meu ritmo de produ��o de posts est� cada dia menor. Minha criatividade est� cada dia menor. Meu poder imaginativo tamb�m. Mas a minha consist�ncia l�gica aumenta progressivamente a cada dia que passa. Meus pensamentos est�o cada vez mais fortes e robustos, e j� posso sentir que entendo bem mais a maquinaria do universo, em todas as suas camadas, inclusive na sua dimens�o po�tica e m�gica.
Por�m, isto tem um custo: perdi completamente a criatividade. Sacrifiquei-a em troca da comprees�o das coisas. N�o me bastou ser dono de tudo. Mas n�o ligo em perder a inventividade e a criatividade - s�o duas inst�ncias in�teis, xoxas. Digam-me: para qu� ficar com a mente f�rtil, adubada etc?
Encontrei na pequena gota de �gua que caia da ponta de seus cabelos uma aurora para minha exist�ncia outrora t�o cansada. E parecia que as cores pulavam, que o cotidiano se dissipava num instante mui ampliado.
-Nunca serei assim, nunca serei assim. N�o faz parte de minha natureza. Mas sempre amor: o amor.
Mas quando olho para os t�nis que est�o ao meu lado...
ah!....me d� uma vontade louca...n�o, � melhor deixar quieto...
12:15 AM
quarta-feira, outubro 09, 2002 Tempo � dinheiro
Comecei a ler Em Busca do Tempo Perdido.
O �nico tempo perdido � o do leitor. Consegui chegar na p�gina 50 e, morrendo de sono, comecei a achar aquilo uma verdadeira babaquice. Coisa de perobo, de �hiper-sens�vel�. Confesso que algumas das id�ias, algumas cenas, s�o memor�veis, merecendo o adjetivo: �interessante�.
� o caso da cena dos biscoitos.
Nesta cena, Proust come um biscoito em dez p�ginas. Isso porque o ato de comer biscoito lhe inunda de reminisc�ncias. Primeiro uma estranha sensa��o, uma euforia extasiante, que vai num crescente at� que lhe vem a espec�fica cena do passado, evocada pelo biscoito molhado em um ch�. Mas, no geral, o livro n�o passa de um caldo grosso de adjetiva��o vazia, em outra l�ngua: enche��o de ling�i�a, objeto amado por Proust de todas as formas.
Por isso resolvi trocar a leitura, peguei um James Joyce, que � um pouco mais divertido. E, segundo Lacan, psic�tico. Acho que por tratar palavras como coisas. Ent�o - deixe-me prosseguir - peguei o Joyce e fui ao banheiro para receber uma bela duma boquete. Vai se fuder Arist�teles! Fa�o trocadilho mesmo.
Mas que loucura! Onde vou parar escrevendo coisas assim? Quem ir� me entender?
Eu mesmo?
S� eu mesmo?
Foda-se.
Hoje fui at� a mercearia. A princ�pio n�o queria, mas a fome me obrigou. Sentia a consci�ncia toda arranhada, demasiadamente transl�cida.
Queria fazer outro tipo de coisa, como ficar sentado.
E queria tamb�m, se fosse poss�vel, uma outra consci�ncia.
Ser� poss�vel fazer transplante de consci�ncia?
Ser� algum dia poss�vel?
Ou voc� acredita na identidade entre mat�ria e esp�rito?
Ou qualquer outra invers�o transcendental?
Mas, na verdade, o que se passa entre mim e Proust, ou entre mim e a �obra� de Proust (para evitar obje��es) � o seguinte: n�o tenho calma suficiente para l�-la. Sou demasiadamente ansioso para saborear deliciosas 50 p�ginas sobre o valor do beijo de sua m�e, antes de dormir.
Me desculpe Proust. Tenho mais o que fazer. Por exemplo, dar tiro com a espingardinha de chumbinho que o Velho Chaby, morador aqui da r�publica, trouxe hoje para casa. Enchemos uma garrafa de pl�stico com �gua e fizemos de alvo. E, quando acert�vamos, come�ava a vazar �gua pelo furo. E diz�amos entorpecidos:
- A garrafa t� mijando. O Pablo fez a garrafa mijar.
Caralho! Quanta coisa in�til. Quanta perda de tempo. Ser� que falar de m�sica n�o � perder tempo. E quem disse que o tempo � dinheiro. Isso � verdade para usur�rios fedidos, como os bancos.
E, se tempo � dinheiro, dinheiro � tempo. Tempo � espa�o. Logo espa�o � dinheiro e eu um ot�rio de escrever algo t�o retardado.
terça-feira, outubro 08, 2002 A rainha do pecado e o baralho dos cegos
Era uma vez uma mulher que era a rainha do pecado.
Pecava muito.
E seu pecado era uma esp�cie de loucura.
Uma loucura em que todos eram pecadores.
Mas a culpa se dilu�a na n�voa de uma falsidade art�stica.
Seguia o caminho das ondas como uma estrela do mar.
Cegava os olhos com suas pr�prias unhas.
E havia um homem que tinha opini�o para tudo.
E olhava para o lado e via muitas coisas.
E tantas coisas via. E tantas outras imaginava.
E amava quando amavam seus sonhos mais vol�teis.
Tinha metade poesia e metade realidade.
A m�sica lhe encantava.
O feiti�o lhe encantava.
A vida n�o lhe era hostil.
Outro sujeito girava sobre seus pr�prios olhos.
E via na carne sua maldi��o.
Via na carne seu pecado e seu erro.
E via poder sobre a carne podre.
No c�u, ao longe, espiava o urubu.
Ave risonha e f�tida.
Quando senti o seu fedor,
Num primeiro momento me enojei.
e cuspi poesia de lado.
E tranformei-me num xulo.
Te chamava de canto e te comia toda
Como uma cadela
Depois do amanhacer
Depois do anoitecer aparecer� cantando a madrugada
E passarada ir� piar
O Sol est� chegando
E com seus raios irei para longe
Voando pela ocura do espa�o
Mandando as estrelas tomarem no cu
Pois � cu o nosso Deus
Se � que Deus h�.
Para que tu me ofereces veneno?
Para ficar brega?
E te comer com meias soquetes?
E ser atormentado de baixo das nuvens
Por figurinhas verminais?
Por que senhor, um Augusto dos Anjos?
De anjo s� tinha o nome.
E n�o digo mais nada.
Calo-me aqui.
Pois voc� n�o merece.
Voc� merece pouca coisa.
Um pouco de feij�o
E um prazer de vez em quando.
E tua grandiosidade?
S� encontrou na paix�o?
O cara aqui de casa
O cara aqui da casa
Disse que me calasse
E fosse olhar para o c�u
Fui e n�o vi nada de mais
Vi algumas nuvens e um pouco de azul
- Ou! Para de girar sobre si mesmo! Vai se fuder gostoso!
Dar aquela boa metida e sair feliz, cantando por a�.
- N�o sei.... Meter com ela me deixava t�o bem. Com o esp�rito leve e juvenil.
- Vamos l�! Se entrega rapaz!
- Deixa ela fazer uma bela duma chupeta. E sai tranq�ilo. Ter bons sonhos no conforto da cama.
- Nunca recebi uma chupeta na vida. Recebi sexo oral. Feita com toda sabedoria da higiene.
- Ent�o voc� n�o sabe o que uma bela duma chupeta.
- O que � a chupeta?
- � uma coisa que agente aprende na inf�ncia, quando ainda � muito novo e aut�ntico.
- Como assim?
- Come�a no bico do seio e vai para o pequeno aparelho de borracha.
A mulher deve buscar nas profundezas do inconsciente a verdadeira arte.
O dia
O dia est� amarelo.
� essa luz que me ilumina.
E pulsa como um pus.
Cansei de escrever hier�glifos.
Olha aqui, o pinto do coelho n�o � grande, mas diz muito sobre todas aquelas mentiras que voc� me contou.
N�o que eu pense que n�o haja verdade alguma. N�o. Olha aqui! N�o tenho muito a dizer e j� estou de partida. Quero deixar um seja feliz para voc� e ir-me embora. Pois esse solo j� estragou. Minha semente n�o lhe serve mais. Mas embora minha mente trave de vez em quando, ainda assim continua funcionando. N�o funciona muito bem...voc� ta vendo. Mas � uma esp�cie de diabo que vive dentro de mim. E me comanda como um gato pintado. Vejo a sua cara. Cara de babaca. Algo quente e morno. Suado e vai tomar no cu. Vai tomar no cu.
O cu tem diamantes em seu interior. Basta entrar no cu e voc� ver� verdadeiras pedras cristalinas. Serei sempre eterno e existirei sempre. Sempre estarei a� ao seu lado. Fazer o qu�? N�o tem como fugir de mim. N�o adianta. E num certo dia, num certo lapso. Ah! Vadia! M�e natureza. Maezona universal. Coitado de n�s que j� somos predestinados desde a inf�ncia. Pobre coitado tu �s. Frente as leis maiores que nos ditam os caminhos. Conhecimento � liberdade. E s� quando ele n�o � liberdade, que ele � �dio. O esp�rito embosteado. E a grande luta contra o embosteamento.
Que todos voc�s v�o ao inferno.
N�o preciso de ningu�m.
Destilo dentro de mim mesmo meu pr�prio ouro e alimento.
E olho para o mundo com desd�m.
Ningu�m � t�o importante como eu.
E conhe�o os problemas que vou enfrentar
Sei desse papo que o outro � o eu que n�o sou eu
Mas tudo � meu e disso tenho certeza.
N�o sou daqueles que prefere se calar.
Olha aqui pessoal, eu n�o tenho nada para falar a voc�s. N�o posso dizer nada de importante e devo por isso me justificar. O m�ximo que posso fazer � escrever sobre situa��es em que voc�s se identifiquem.
Poderia dizer que tenho f�ria e lama nas minhas veias. Mas e da�?
- Grande bosta que tem f�ria e lama!
E tenho que confessar que � verdade
Grande bosta.
E assim, o que eu poderia fazer, poderia dizer que tem um c�u bem artificial na minha cabe�a. Mas o que posso fazer?
Meus amigos n�o gostam de ficar olhando o c�u.
Preferem beber cerveja.
T� certo. V�o beber cerveja.
Eu. Eu vou ver o c�u.
No primeiro momento ele nada me diz
Fica l� parado. In�til e besta.
� que o c�u � t�mido.
N�o quer dizer muita coisa n�o.
[Acha que n�o vale a pena dizer nada para voc�]
Prefere ficar na dele.
Mas voc� n�o desiste.
E fica l� no fundo do quintal a olhar para ele
Se quiser pode acenar com os bra�os
Da� alguns segundos voc� escutar� alguns murm�rios
Um balbuciar quase impercept�vel
Deixe os ouvidos atentos.
� um pequeno vento assobiando na orelha
Um vento muito calmo
E o sol ta morno e vai batendo suavemente na pele
{E eu estou do lado, vendo a cena}
E eu sou o Deus da est�ria e come�o a mijar nela.
Mais meu mijo � �gua cristalina e uma bela chuva que alicia os amantes
:
- N�o � dor o que voc� sente quando est� sendo penetrada
� prazer e nada mais que prazer
� carnaval
� alegria
� vida
� maldi��o
�A maldi��o est� dentro de n�s. Estamos pescando pequenas carpas em cima de uma baleia.�(p.13)
O inferno
O inferno s�o os outros?
O inferno � agente mesmo?
Existe um desconforto na loucura.
E o inferno � filha da rela��o de n�s com os outros e de n�s consigo mesmos.
O que � fazer boa companhia para si mesmo?
� ficar passando a m�o na pr�pria cabe�a?
Ou ficar batendo punheta?
Ou escutar uma m�sica dos Rollings Stones?
Digo apenas que muitas coisas acontecem por debaixo da m�scara
E debaixo da m�scara procuramos sempre ser cuidadosos
( Debaixo da m�scara � um espa�o de condensa��o de intimidade
Onde se acumulam devaneios.)
J� dizia o velho Bachelard
Agora queria que voc� estivesse aqui
E compartilhasse comigo este instante
Sinto-me t�o bem
Sinto as costas relaxadas
E sinto-me disposto ao amor
Ontem e hoje
Ontem nasceu o universo
Amanha morrer�
N�o somos eternos
E a vida � uma bolha
Vamos nos amar
E vamos esquecer o leitor, o juiz e o ladr�o
E vamos amar
Seu corpo � gostoso
E me faz sentir bem
Amo sua alma e seus pensamentos tortos
Perco-me em seus olhos
E esque�o de mim mesmo
Sou todo amor
Cada palavra tem um tato
E uso as palavras para te lamber quando sai do chuveiro
E te secar como faz um gato
Assim voc� ir� dormir com meu cheiro
E sonhar� que est� dando pra mim
Muito tempo atr�s havia um pitibul que vivia numa ilha. Ilhado de tudo e de todos, inclusive de si mesmo.
- Para.
- Como assim para.
- Voc� est� exagerando na indisciplina. Ta agindo como um retardado!
- Por que?
- Olha s�. Voc� gosta de sonhar e ter devaneios, certo!
- Certo.
- Mas voc� n�o consegue amar a si mesmo.
- Por que voc� pensa essa barbaridade!
- Porque aqueles que te conhecem, seus amigos e camaradas, n�o est�o muito preocupado com sua sa�de.
- Eles est�o sim. Mas o que isso tem a ver?
- Voc� j� pensou qual � seu objetivo na vida?
- Objetivo?
- Sim. Objetivo. Meta final.
- N�o com muita seriedade.
- Pois deveria. Como voc� consegue viver sem objetivos estruturais?
- � f�cil. Tenho pequenos objetivos localizados. Passar de ano. Sobreviver. Ganhar algum dinheiro.
- Falo de grandes objetivos. Tudo isso � passageiro.
- Mas eu me preocupo com o passageiro, com o ef�mero.
Eu outra vez
Neste instante cai no olho do escritor uma fagulha de algo qualquer. E a� mo�ada, um abra�o.
- Ah! Larga de ser falso!
- Falso o caralho.
- Chame-me de qualquer coisa, menos de falso.
- Como se deve escrever!? Como um of�cio. Um v�cio que n�o se pode mais largar. Uma escrita de respirar curto. Uma escrita qu�ntica. Que vem em pacotes de informa��o. Por que at� agora n�o uniram as leis do mundo subjetivo com as do objetivo?
- E a�, estou a fim de dar uma trepada com voc�.
- Hoje n�o. N�o posso. Quem sabe semana que vem.
- Ta bom. Espero que a vontade n�o passe at� l�.
Linda criatura, escrava sexual, puta potencial, mula inconstante. Queria te dar um abra�o e te dizer bom dia e ir comprar um p�o quentinho na padaria de manh�. E comer com a manteiga Avia��o. A manteiga derretendo no p�ozinho logo cedo, o mundo acordando e mais um dia de trabalho.
( O que o sujeito acima n�o sabia � que n�s que aqui estamos n�o conhecemos muito sobre ele. Dizem que ele tem vida pr�pria. Mas a sua mulher age na escurid�o. )
A conseq��ncia
A mente passa ser perturbada por dem�nios que n�o se calam, e ele fica escrevendo como um louco que nunca se para. Insano para todo tipo de atividade. Torce o nariz e vai correndo pelo mundo. Sobe montanhas. Desce ribanceiras. Atravessa p�ntanos. Dorme na cavena escura ao lado de in�meros morcegos e vai andando como um viajante estranho. Tudo lhe � novo e n�o se apega a ningu�m.
Cada encontro � o ultimo encontro.
Ele sabe que a viv�ncia gera picuinhas irremedi�veis. Pequenos atritos mi�dos. Pequenos vetores que apontam para o mal.
J� o andarilho nunca para. Ele n�o tem casa.
Um m�s aqui. Uma semana l�.
E tem os p�s calejados. E o cora��o aberto a tudo. E nem se chega j� est� se despedindo.
- Quer�amos que um certo viajante ficasse em nossa cidade conosco. Mas ele se foi. Ele n�o podia ficar.
E de fato t� tudo besta.
Quem tem o direito da propriedade? E quem n�o � corrupt�vel? Quem poderia abandonar um instante sem sentir nenhuma saudade dolorida como o diabo!
E o peregrino guarda a saudade no seu cora��o. Como os portugueses. Um povo da saudade. Da saudade do tempo em que Portugal foi a primeira pot�ncia mundial. Pouco antes da expuls�o dos judeus.
Estou puto com o Credicard. Primeiro ele chegou bonzinho dando presente. E em troca pediu que eu assinasse um pequeno papel. Coisa � toa. Um m�s depois o Credicar mandou congratula��es pois acabara de receber um cart�o. Hoje chegou a fatura. Daqui um ano, deverei milh�es ao Credicar. Triste vida!
N�o � poss�vel que toda manh�, s� por causa dos vemes amigos que corroem as vilosidades cerebrais e assim nos tornam mais int�mos do nirvana, eu tenha que repetir mais de quatro vezes frases que n�o apenas desacredito como tamb�m abomino. Resta, portanto, considerar um n�mero finito de princ�pios, de prefer�ncia um �nico, para em seguida sair pregando que tudo pode se transformar em qualquer coisa, homem em mulher, mulher em sapato, sapato em meia, e meia em cu, cu em boca.
domingo, setembro 29, 2002 Shakespeare � o melhor dos escritores
A obra de Shakespeare � t�o boa que se tomarmos qualquer uma de suas frases isoladamente, poder�amos, sem d�vida, us�-la como cita��o.
Coisa gozada: todos os seus personagens falam muito bem, t�o bem quanto o pr�prio autor. �bvio que Shakespeare, neste aspecto em particular, n�o pretende retratar a realidade tal qual esta se apresenta, sob a corrup��o dos sentidos. �, outrossim, sobre realidade essencial mesma, seguindo os bons conselhos da Po�tica de Arist�teles, que ele deita seu olhar. Anseia, como esp�rito superior que �, ao universal, e explora todos os meandros da condi��o humana: o destino, a morte, o ber�o, as paix�es, a honra, a verdade (n�o digo sinceridade, pois este conceito plebeu � indigno de cr�dito) a falsidade, a moral. N�o se det�m em mostrar, como muitos realistas, o particular, a pura idiossincrasia desnecess�ria. N�o fica como o ultra-realista Kundera, a explanar profundamente sobre a bosta. Em William, n�o h� espa�o para isso: nenhuma das suas personagens tem, por exemplo, mania de co�ar o nariz.
Pelo contr�rio, elas s�o como que representa��es corporificadas de atributos essenciais. O autor exagera, � fato, mas exagera para tornar apreens�veis certas qualidades que tamb�m carregamos em n�s, embora em menor grau e, portanto, menos percept�vel ao olhar da consci�ncia, sempre � inviesado e torto.
E n�o � preciso que um Freud venha enunciar - isto sempre foi sabido pelos homens de cultura - este olhar da consci�ncia sempre v� o mundo atrav�s dos �culos da paix�o, �culos que a pr�pria consci�ncia, devido ao longo h�bito, n�o se percebe usando, at� que um dia ela se v�, para seu susto, refletida no espelho. E este espelho � justamente a pr�pria pe�a shakeasperiana.
Ontem, atrav�s de duros esfor�os e um pouco de engenho, finalmente consegui introduzir uma pequena bucetinha na regi�o dorsal de minha cabe�a. Torno-me portanto o primeiro mortal a ter uma buceta introjetada na cabe�a. A buceta, quando introjetada em meio a massa cinzenta, conta-nos sobre muitas coisas da terra e do c�u. Sua voz doce sempre diz o que � melhor. Suas sugest�es s�o sempre magn�ficas, grandiosas e, contudo, simples. � como a �gua para aqueles que sede tem.
O que a buceta vem tentando me convencer � que o meu eu � uma mentira que eu mesmo criei. Mas o problema n�o se resume em ser apenas uma mentira, mas uma mentira ruim. Assim, ela me prop�e que me entregue difinitivamente aos seus bra�os e lamba seu clit�ris, em troca, a esperta promete-me de p� juntos que me dar� um novo mundo, multicolorido e mais rico de espiritualidade viril. Al�m de que a Terra ser� confort�vel e amiga, pr�pria para todas as esp�cies de devaneios.
A proposta � boa, e a cada dia que passa, quando sinto o mel silvestre ro�ando a l�ngua, quero me entregar de uma vez a ela. Nunca me entreguei a ningu�m na minha vida, n�o sou t�o bobo a esse ponto. Mas ela...ela...ah ela...sei l�. Acho que n�o vou suportar. Para qu� suportar? Vai l� Savi�o! Pra que isso bicho!?
sábado, setembro 21, 2002 Porcos, Poesias e Porras
Faz parte do senso comum pensar que os porcos s�o apenas criaturas sujas e porcas. Mas uma vez a ci�ncia vem para arruinar todas as supersti��es referentes a este feliz animal.
Ora, a cada dia que passa, a ci�ncia v�m nos assombrando, ao mostrar que os su�nos s�o hedonistas natos. Gozam a vida adoidado, como nenhum outro animal. N�o vivem, como n�s, a mis�ria sexual. Seus orgasmos s�o fort�ssimos, e duram cerca vinte minutos. E ainda se divertem chafurdando na lama.
Algo de gerar inveja mesmo em um homem rico, jovem e solteiro.
� certos que os invejosos n�o tardariam em argumentar que alimenta��o su�nos, por ser constitu�da sobretudo de lavagem, seria um grande pesar para os mesmos. Nada mais enganoso. �queles que j� tiveram a oportunidade de ver um porco comendo n�o � necess�rio muita explica��o. Algo chocante, sentem extremo prazer com cada mastigada, parece que est�o comendo vegetal ambr�sia. Tudo bem concordo. Neste ponto em particular, sou for�ado a concordar: n�o se diferem muito daqueles que sentem grande prazer assistindo MTV ou escutando r�dios populares.
Mas, em termos de prazer, ningu�m se compara aos porcos, ou sequer chega perto, nem mesmo o bicho pregui�a, que muitas vezes sofre de um t�dio m�rbido. At� onde fui informado, a neurose � um voc�bulo completamene alheio aos su�nos. E complexo de �dipo � coisa de humanos e ratos (como afirmou certa vez um professor).
Resta-nos pouco a fazer em vista da inevit�vel superioridade destes animais. Resta, talvez, nos consolarmos comendo uma pururuca, prova concreta de nossa superioridade b�lica. Ou talvez, rezarmos para, na pr�xima encarna��o, nascermos leit�es.
Por�m os porcos n�o t�m poesia.
� justo.
E a maioria da humanidade tamb�m.
Logo a maoria da humanidade s�o como porcos? Ou pior?
T� foda entrar nos blogs dos meus antigos companheiros da debilblogger. Puta que pariu, � duas horas para entrar em cada blog. Pior que abaixar m�sica na internet. Mas acredito: o pior deve ser postar.
10:39 PM
Do Instinto de Morte e da Feijoada
N�o tenho muitas certezas, mas que a feijoada que comi hoje no almo�o elevou meu Q.I a um n�vel pouco maior que um vegetal, disso tenho certeza. Talvez seja s� uma forma muito sutil e especial de intelig�ncia su�na.
E ainda sou obrigado a escutar que drogas � que � o grande vil�o! Freud escreveu toda sua obra enquanto cheirava coca. Feijoada que � o grande mal. S� proporciona um prazer fugaz, estomacal, seguido de forte depress�o e pensamentos suicidas. Por que fiz isso meu Deus? � como se houvesse apenas graxa na sinapse.
Talvez o melhor seja aceitar minha atual condi��o e esperar me tornar inteligente como J� Soares.
Depois da feijoada, muito debilitado, consegui ter uma id�ia que n�o o suic�dio: ir � locadora. Nisto, passei na farm�cia para comprar algum digestivo. Aproveitei para medir minha massa. Havia emagrecido dois quilos.
A �nica hip�tese plaus�vel � que a digest�o da feijoada exige o dobro da energia que a pr�pria feijoada pode nos oferecer. Logo, se quiser emagrecer, coma feijoada e evite produtos diet ( � cient�fico: quase todas as pessoas que fazem uso de produtos diet s�o gordas). Al�m disso, a feijoada (falo da feijoada �da boa�, com orelha de tudo), se ingerida em grandes quantias, estraga o est�mago: n�o se consegue comer nada durante uma semana.
Quero ver se ju�zos sint�ticos a priori seriam poss�veis para Kant se a feijoada fosse a base de sua alimenta��o.
Conclus�o: n�o � � toa que a alimenta��o � algo t�o importante para tantas culturas. Afinal ela condiciona os pensamentos e o estado de esp�rito.
Lembra-me Millor: Feijoada completa � aquela que vem com ambul�ncia.
Jo�o nasceu em uma cama de hospital. As paredes do hospital eram limpas. Havia um cheiro de assepsia no ar. Vinte anos depois eu j� estava estirado, drogado, sobre o banco da pra�a. Era carnaval, e havia tomado um porre de Martini.
- Puta que pariu, a Rita � muito gostosa.
- Tem o corpo perfeito. Comeria ela dia e noite.
Tinha uns quinze. E nome Rita n�o foi posto aqui por acaso. Rita era o nome do primeiro amor de que me lembro, eu devia ter uns oito anos. Nunca fiquei com Rita em minha vida. Mudei-me da cidade grande. Nunca haveria de fazer coisas com Rita. E tinha muita vontade de fazer coisas com ela.
- O P.T. � bom.
- Sim. � bom.
- � o partido dos trabalhadores.
- Sim. O povo trabalha.
Parece uma conversa de esquizofr�nico. N�o que o PFL seja bom. Mas que pol�tica � algo muito desanimador.
- Voc� n�o � engajado.
- N�o, nem um pouco. Na verdade sou. Engajado no meu pr�prio umbigo.
- O quadro apresenta uma harmonia espont�nea. As fortes pinceladas propiciam um aspecto din�mico, como se a tela estivesse viva, dando a express�o de um eterno devir que faz ressoar no bojo da alma do observador, que se det�m na contempla��o. Efeito parecido com a chama de uma vela, que parece estar parada, mas nunca realmente est�. As cores s�o fortes, primitivas, e se interpenetram, formando uma variada gama de possibilidades expressivas, que, n�o obstante, est�o sob o jugo de n�cleo centralizador que as sustentam e lhe garantem seu lugar no espa�o. Retirando-se um �nico ponto, observar-se-ia que a fr�gil estabilidade deste dinamismo equilibrado sumiria.
- Enfia o quadro no cu.
- Deus. Damos risada de Deus.
- Na porta do c�u, est� Cristo de quatro. E s� chegar enrabar, e a�, em troca, ele deixa entrar. Por isso n�o tenho o menor medo. S� eu teria coragem de comer aquele cu peludo e sujo.
- O inferno � ter que comer a m�e todo dia.
Troca o falante, algu�m que nunca entrou entra:
- Voc�s falam s� baboseiras. Querer criticar Deus � querer tornar-se Deus. � criticar o que h� de melhor em mesmo.
Nisso, come�a uma briga no local. O cara que tinha xingado Deus come�a a dar porrada, senta um puta dum murro na cara do cara que veio defender Deus. Este �ltimo se defende, pega uma cadeira que estava ao lado e arremessa sobe um dos hereges, que neste instante come�a a sangrar.
A briga continua, briga feia, soco pra tudo quanto � lado. Mas como era dois contra um, o dois acaba ganhando. Ao final, est� o defensor de Deus jogado no ch�o, suas m�os seguradas contra o azulejo, um joelho sobre a barriga pressionando-o. Olha para o lado e v� um dos caras na posi��o de que vai dar uma bicuda na cara, ou no saco. Da� eles perguntam:
- Quem est� com a raz�o?
- Voc�s!
- Pede �gua.
- �gua.
- Diz que sua m�e est� na zona.
- Ela est� na zona.
Bicudo.
- Diz por inteiro.
- Minha m�e est� na zona.
- V� se ele fez figuinhas!
- Ele fez.
Bicudo.
- Diz e, se fizer figuinhas, leva outro bicudo.
- Minha m�e est� na zona.
- Diz que Deus � viado.
- Deus � viado.
Isso aconteceu numa sala, j� faz tempo. Ap�s maltratarem o cara que acreditava em Deus, deixaram-no partir todo estrupiado, mancando. Mas da esquina, antes de ir embora, ele gritou:
- Voc�s v�o para o inferno - e saiu correndo no pau.
Fim da est�ria.
Parte Dois da est�ria.
O homem que entrou tinha a op��o de n�o entrar e n�o se intrometer na conversa. Se o tivesse feito, n�o teria apanhado.
Os dois homens que bateram nele foram para o c�u. E n�o foi � toa. Ao chegarem l�, encontraram Cristo, com seu cu magro. E tiveram coragem de com�-lo. No c�u era cheio de psicanalistas e, portanto, poderia ser removida a dor moral de t�o vil a��o, ap�s uns seiscentos anos de an�lise quatro vezes por semana.
Acreditei em papai Noel at� cerca de seis anos. Teria posto de lado a crendice antes, se n�o fosse a engenhosidade da arma��o que os adultos que me cercavam elaboraram. S� mais tarde desvelei a arma��o: um jovem de dezenove anos, filho de um dos casais presentes na festa, escalara o pr�dio, entrando pela sacada do primeiro andar, o local da festa.
No caso do comunismo foi um pouco diferente. Contava quatorze quando larguei o esta supersti��o. Um pouco antes disso, a professora de hist�ria havia exigido a execu��o de um trabalho. Pediu que entrevistasse um pobre e um burgu�s por meio de uma mesma pergunta. Qual seria a pergunta? N�o poderia ser outra: �O que voc� pensa sobre todas as pessoas ganharem igual quantia?� Sim, bom, muito bom respondeu o pobre.
O rico apenas olhou meio de lado e sorriu com desd�m para a crian�ada. Se tal possibilidade se concretizasse, disse ele, n�o haveria concorr�ncia. Portanto, n�o.
N�o compreendi todo alcance de sua resposta. Fui jogar v�deo-game. Era melhor do que ficar pensando no significado disso �concorr�ncia�. Para ser sincero, n�o dei muita bola para a for�a de sua resposta. Para mim ele estava era fugindo da raia.
Sorrindo enquanto tremia nervoso por dentro.
Era bem moleque na �poca, n�o pensava de modo t�o �sofisticado� como penso hoje. O quero dizer � (como ser claro?) que n�o pensava como um comunista rigidamente definido. A mais pura verdade � que eu era mesmo � baita dum cat�lico apost�lico romano, quase descambando para coroinha.
Perdoem-me. Foi at� os quatorze. Quinze estourando. Mas n�o vamos fazer deste blog um confession�rio moderno. Todos aqui j� foram algum dia idiotas, fizeram cagadas, pensaram idiotices.
Rebolaram na frente de uma pequena multid�o. E penso, a idiotia ainda persiste. Incluo-me nesta �ltima categoria. Mas se hoje fa�o besteiras, n�o fa�o sem consentimento de uma minoria: sujeitos muito honestos que riem e zombam de minha merda, por vezes bem talhada. O fino trato da merda.
Mas isso � hoje em dia. Antes n�o era assim. Era um pouco diferente. Tinha s� potencial, uma semente esperando por �gua. N�o veio �gua. Veio mijo. Mas serve.
Uma a uma, minhas cren�as foram se perdendo.
Uma a uma, minhas esperan�as foram se apagando.
Uma a uma, minhas ilus�es foram se mostrando verdadeiras bolhas de sab�o.
O catolicismo ruiu, se fez p� e sumiu. Deus tornou-se, ap�s algumas noites de perdidas l�grimas adolescentes, mais um motivo de risada, ou como gosta um certo amigo meu: �motivo de chacota�. O que me imaginava sendo em um futuro t�o distante, n�o fui. N�o fui sequer metade do que me imaginava sendo.
O conceito de verdade, �ltimo baluarte deste imp�rio de lego, foi destru�da a marretadas impiedosas daquele cujo bigode me fascinara: Nietzsche. Restou da verdade apenas uma m�sera frase �A verdade � uma mentira que n�o pode ser refutada�.
Sei l� se essa frase � verdadeira. Em todo caso n�o quero confus�o, retiro-me do ambiente, vou para meu quarto, falou galera.
Voc� pensa que � assim que se age, como uma galinha?
Tornei-me um niilista. A configura��o dos �tomos da alma se despeda�a como vaso de porcelana. Logo, besteira pura sair por a� se �aperfei�oando�.
- Vai se aperfei�oar no inferno!
Moda � moda nos Estados Unidos deixar a calcinha aparecer. Meu Deus! Como eles s�o superiores! Tanto, que a moda j� come�ou a ser imitada no Brasil. A reportagem diz que a moda se originou com as namoradas dos skatistas. Mulheres imitando homens? Deve ser algumas pertencentes �quelas que se pode dizer: "segundo sexo".
Porra, o neg�cio � saia. Nada deixa a mulher mais bonita. Se fosse mais homem, s� usaria saia, que embeleza e refresca.
7:53 PM
terça-feira, setembro 10, 2002
O que � �. O que n�o � n�o �
8:52 PM
Voto
A verdade � que n�o vou votar. Vou justificar. N�o pretendo viajar a Pen�polis para votar, nenhum pol�tico est� disposto a bancar a viagem. Da� o meu interesse quase nulo pela elei��o. Mera decis�o pragm�tica. Caso algum pol�tico se prontifique a financiar minha viagem, bem, � outra hist�ria.
8:41 PM
Escrevendo
Escrever � coisa dif�cil
Primeiro: n�o se tem do que falar.
Ent�o j� devo come�ar pedindo desculpas
Antes achava que muito
Muito ainda havia a ser dito
Hoje, de barriga cheia, apenas durmo,
E lamento n�o ter o que dizer.
Mas se quiser saber,
Saber da minha da verdade,
Posso lhe contar.
Se n�o quiser saber,
Tamb�m posso te contar:
Eu nasci em 78.
Fui estimulado desde o ber�o
Fui nutrido, estudado, documentado, amado.
De cabelo penteado e dente escovado
Nisso, penso, sou igual a voc�.
Gosto de m�sica como voc�
Sou muito parecido com voc�.
Mas...n�o diga palavra.
Pequenas diferen�as � o que lhe interessa
Na verdade at� hoje estou a pensar
Se � isso mesmo que te interessa
Ou se alguma outra coisa
Eterna outra coisa
Cada vez tenho maiores certezas,
Penso que o tato � mais forte dos sentidos,
O tato me desconcentra, lan�a-me para fora de mim.
Por isso dissolvo-me, me perco, no colo da mulher que tanto quero bem,
L� � quente, gostoso, repousante,
Desejo que ela seja bem feliz
E que tenha bons sonhos
Mas vezes h� em que ela acorda
Gritando no meio da noite
Irei abra��-la. E mostrar que estou ao seu lado.
Para que se levante feliz.
E venha toda contente me beijar,
Escuto, na esquina, a voz surda de um velho rabugento,
Por sua vida particular, besta, tonta, n�o interessamos,
Queremos dar risadas.
Chego perto do velho
Ele est� deitado
Seus ossos fr�geis como isopor
Abro a braguilha
Mijo no velho.
E o contamino com meu veneno.
At� hoje nunca fui culpado.
S� uma vez.
Que a punheta me fez pecar,
Olhando pelo buraquinho do banheiro
O buraquinho da empregada.
Certa vez um �ndio lan�ou uma flecha no c�u
Que se cravou sobre a ab�bada
E lan�ou outra que se cravou na traseira da flecha anterior
At� que tantas flechas havia, enfileiradas,
Que subiu ao c�u e virou lua
N�o acredito na est�ria
A lua � dura
E apenas permanece l�
Dizem que um pouco de nervos�smo faz bem para pele. Acredito. Tenho a pele boa. Realmente n�o � cient�fico em estrito senso. Mas e da�? N�o � porque n�o � cient�fico que deixa de ser verdadeiro.
N�o irei mais argumentar a afirmativa supracitada. Digo apenas que cada dia que passa, presto mais aten��o em meus sonhos, e, ao acordar vou sondando na mem�ria aquelas situa��es estranhas e esvanecentes que, por alguma raz�o, minha alma me fez passar.
Mas os meus sonhos s� ir�o come�ar a fazer sentido para mim l� pelas seis da tarde, momento em que estes come�am, com uma eloq��ncia assustadora, a me contar muitas coisas do meu interesse. De forma geral, os meus sonhos s�o um espelho simb�lico do meu estado de esp�rito. N�o quero afirmar que isso seja certo para todo mundo, nunca entrei na alma de outra pessoa para saber, mas para mim � assim.
Exemplo. Geralmente quando sonho que estou sendo perseguido, tamb�m me sinto perseguido durante a vig�lia. Longe de se pensar que seja aquela persegui��o estereotipada, de paran�ico. Mas uma persegui��o. Estou fazendo esfor�o para fugir de algo. J� passei semanas sonhando, dia ap�s outro, com toda a sorte de animais me perseguindo. No per�odo me sentia assim.
J� tamb�m tive in�meros sonhos esdr�xulos com mulheres deformadas, que tinham bucetas de onde sa�am enormes quantidades de um certo p� branco, e mulheres peladas, descarnadas da cintura para cima, com coluna vertebral de grafite. Em alguns eu chegava a transar com elas.
Pena que n�o sonho mais que estou voando bem alto, com leveza e sem esfor�o. As �ltimas vezes que sonhei era um voar baixinho, rasteiro, esfor�ado - tinha que bater os bra�os com for�a para me manter suspenso. Assim que descobria que era capaz de voar, ficava maravilhado e adivinha o que fazia logo depois: ia correndo para mostrar aos outros que era capaz de voar( evid�ncias do esp�rito Z� Cadela).
Comecei, como estava dizendo, a voar cada vez mais baixo. O �ltimo era nadando-voando no asfalto da estrada, que tinha outro tipo de consist�ncia, uma que permitia tal ato.
O pior � que � s�rio. Atualmente, meus sonhos andam melhorando, est�o se tornando mais agrad�veis. Penso ser resultado de minha recente amizade de mim por mim mesmo. Estou cansado de me espacandar para ver se tomo jeito na vida. J� vi que n�o tem jeito mesmo. Agora � tempo de conc�rdia.
Por isso mando hoje uma mensagem de paz e esperan�a a todos aqueles que tem pesadelos.
5:03 PM
sexta-feira, setembro 06, 2002 Minority Report
Assisti j� faz alguns dias ao �ltimo filme do judeu. Impressionou-me a vida que levava aqueles cognitivos boiando na banheira. Deus me livre de viver assim! Sei que tem o lado bom. A �gua � morna. N�o tem que levantar para ir beber �gua nem comer. E ainda tomam no pesco�o inje��es de seretonina da boa e outros subst�ncias mui prazerosas. Mas prefiro ficar na minha hidromassagem e usar drogas apenas quando me apetece.
Uma coisa interessante no filme � a quantidade de assuntos de que consegue tratar. Tem-se o estere�tipo do criador obcecado por sua cria��o, na medida em que esta lhe proporciona gl�ria e poder. O sujeito � capaz de fazer verdadeiras barbaridades tais como tentar assassinar o Tom Cruise, no papel de um pobre policial que apesar de ludibriado, era no fundo um homem bom e honesto, que recebeu da vida pedradas e flechadas de um destino cruel.
O filme retrata as emo��es com profundidade e simplicidade. N�o � preciso esfor�o nenhum para encontrar no enredo a nata do pensamento psicanal�tico. Tom Cruise, incapaz de elaborar de forma saud�vel o luto relativo a seu banbino, acaba por fazer uso indevido de defesas man�acas, assistindo, totalmente drogado, a v�deos de produ��o caseira de qualidade duvidosa. E exterminando o mal pelas ruas numa forma de vingan�a esp�ria.
Coitado. Fora enganado pelo seu chefe: um lobo vestido de ovelha. (Apocal�pse de S�o Jo�o)
E ficou muito claro:
S� se peca por ignor�ncia.(S�crates)
Um outro aspecto do filme � de cunho mais filos�fico.
A exist�ncia de cognitivos capazes de previs�o muito precisa incita-nos a pensar que umas das proposi��es centrais do filme � a nega��o da exist�ncia do l�vre-arb�trio. Ou, se existe, existe em doses min�sculas, desprez�veis. Mas seria quase um pecado extrair tal ensinamento do filme. Sabemos que Spielberg inseriu o determinismo com l�grimas nos olhos, totalmente contra sua vontade.
Ora, ele n�o teve escolha.
Com o livre arb�trio o filme mesmo n�o seria imposs�vel. E sem o filme o nosso cineasta n�o poderia denunciar os riscos a que estamos sujeitos quando pessoas gananciosas e imorais est�o no poder.
Em vista de minhas reflex�es anteriores, poder-se-ia julgar que n�o apreciei permanecer sentado numa confort�vel poltrona do cinema durante cerca de duas horas. N�o. N�o. N�o. Gostei muito do filme. Pisei mais leve no estacionamento do Shoping, com o esp�rito mais...como dizer...exuberante. Senti no fundo de meu cora��o um sentimento raro. Um sentimento de que n�o joguei meu tempo fora (como geralmente me sinto a maior parte do dia quando, quando n�o estou, sei l�, a amar).
Abra�os Queria mandar um abra�o apertado para todos aqueles que me l�em ou que ao menos passam o olho. Saibam que escrevo com o cora��o tudo aquilo que n�o penso, mas que sinto. E este blog � para mim mais importante do que eu mesmo. Pois carrega tudo do que h� de melhor em mim. E tamb�m o que h� de pior.
4:09 AM
Universo N�o vejo nenhum problema em o universo ter come�ado sem uma causa. Simplesmente um dia come�ou. Uma origem sem um originador. � de fato um contrasenso. Mas o universo nem est� nem a� em ser sensato. Veja o hor�rio pol�tico.
Chupeta De que vale a bosta desse orgulho capenga, esfacelado?
Acho que j� posso jog�-lo no lix�o.
Veja minha sina.
Lutei durante anos por ele, e ele, por sua vez, s� me trouxe azar.
Quem sabe jogando esse filha da puta no lixo as coisas finalmente mudem.
Tem muitas tardes em que sinto enjoado de mim mesmo,
Se tudo enjoa um dia, imagine eu mesmo,
Que venho me acompanhando desde o dia em que nasci.
Ent�o tento de mim me esquecer.
�s vezes ainda penso, num instante de loucura, que existe um eu profundo. Profundo e maravilhoso, cheio de ouro e fantasias mil.
Quando imposs�vel de se acreditar nessa babaquice, conforto-me repetindo para mim mesmo que as melhores coisas n�o podem ser ditas.
Se � assim, o que tem mais valor do que seus olhos?
Lembro-me quando conversava com um certo amigo sobre o sono dos justos.
Faz tempo que n�o tenho um.
Como era bom aquele tempo em que o sono descansava.
Agora meu sono � s� pesadelo.
Acordo suado, com o cora��o entalado na goela.
Tenho muito medo,
Muito medo de dormir.
Quero uma chupeta.
Por favor.
Ou algo semelhante.